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segunda-feira, 1 de junho de 2009

Serenização da mente e assertividade



Por Chafic Jbeili – www.chafic.com.br

Você tem agora em algum lugar de sua mente a solução para a resolução de algum problema que eventualmente te aflige.

Quantas vezes por semana você para por alguns minutos e dedica ao silêncio? Seja em uma oração ou em uma meditação, você faz isto? Já pensou porque alguns adultos não conseguem ficar em silêncio, quietos, serenos? Já se perguntou por que algumas pessoas não conseguem ficar sozinhas consigo mesmas? Porque entram em casa ou escritório e já vão acendendo luzes, rádios, TV ao invés de buscar o silêncio, a resposta interior para o problema do dia ou da vida? Por que será que são (ou estão) sempre agitadas?

Pois bem, este texto foi inspirado em um contato muito peculiar que tive durante a semana. Uma pessoa me escreveu perguntando porque a vida era mais difícil para algumas pessoas e para outras nem tanto. “Porque algumas pessoas conseguem as coisas de forma mais fácil?” dizia ela.

Eu respondi: A vida parece sempre ser mais benevolente para quem tem a mente serena; assim como parece ser mais implacável com quem tem a mente agitada. Desenvolva a serenidade e verá a vida com outros olhos, pois estou convicto de que a assertividade é potencializada por mentes serenas. Mentes serenas acertam mais do que mentes agitadas.

Mentes agitadas pelas preocupações e pelo medo, focadas na sobrevivência em conseqüência de um perigo imaginário ou real eminente não apresentam raciocínio lógico suficiente para acertar nos desafios mais simples. Tente perceber como é difícil para alguém trabalhar ou estudar enquanto está sob algum tipo de ameaça, preocupado com dívidas, doenças, brigas, separação etc.

Quanto maior a adversidade da situação maior a necessidade de se praticar a serenização da mente, pois a mente serena é sempre mais assertiva e irá – naturalmente – sugerir soluções mais eficazes aos problemas, mesmo que seja a lembrança de um conselho do passado ou a elaboração de uma idéia que amenizará instantaneamente os efeitos dos eventos preocupantes.

Certa vez eu estava muitíssimo tribulado com um problema que, naquele momento, me parecia gigantesco e insolúvel. Mesmo tremendo e com taquicardia, parei em silêncio por alguns instantes e lembrei de uma frase que meu pai - um sábio oriental - me disse: "Filho, isto também passará!". Como foi bom lembrar desta frase naquele momento...

Nosso cérebro tem uma capacidade enorme de captação e processamento de informações. Mas o que cada pessoa faz com o resultado deste processamento de informações? Aquele que tem a mente serena aproveita os resultados a seu favor; o que tem a mente agitada fica ainda mais confuso e acaba jogando fora uma provável solução que tanto procura e precisa. Já ouviu alguém dizer: “Porque não pensei nisto antes?”

É mais ou menos como alguém que faz uma conta complexa em uma calculadora científica, mas não olha o resultado na tela depois que aperta o sinal de igual. A resposta está lá, mas a pessoa já desviou a atenção porque está com a mente agitada, inquieta, preocupada... e responde “não sei mais o que eu faço”, quando na verdade o que deveria fazer está bem ali no córtex frontal em forma de pensamento, de idéias, de sonhos...

Os sonhos são um bom exemplo disto. Boa parte das informações remotas, recentes ou imediatas que são captadas durante a vida pelo cérebro se mistura e é manipulada no processo onírico. Então, o cérebro oferece uma resposta, uma espécie de sugestão para resolução daquele problema, mas a pessoa não enxerga a proposta que o cérebro oferece e então age compulsiva e inadvertidamente aumentando as chances de erro e não de acerto.

Habitue-se a anotar seus sonhos e as soluções que ele oferece. Dê mais atenção às suas intuições.

Aqueles que têm mentes agitadas afirmam ter poucas intuições ou não lembrar de sonhos. Sonhar todo mundo sonha. É questão de higiene e sanidade mental, mas podem estar como no exemplo da calculadora: O resultado, a resposta da questão em evidência está na tela, bem debaixo do nariz, mas há agitação demais para enxergar o óbvio.

A intuição é outra fonte fantástica de sugestões que o cérebro oferece para resolução de problemas. Mas como dar ouvidos à intuição se a energia mental está canalizada para a fuga ao invés do enfrentamento?

Pessoas com boa auto-estima costumam confiar mais em suas idéias e intuições, enquanto pessoas com auto-estima baixa ou ruim costumam confiar mais em seus medos.

Neste aspecto a mente mais relaxada e serena pode ampliar quantitativa e qualitativamente suas propostas de soluções e também de seus acertos, parecendo que as coisas sempre dão mais certo para uns do que para outros.

A vida é sempre mais benevolente com todos que a escutam. Escutar a vida é escutar a voz interior, seja provinda de Deus no silêncio de uma oração ou provinda das resoluções oferecidas pelo cérebro; esta máquina fantástica de encontrar soluções.

Neste momento você deve querer perguntar onde entra a sorte nesta história, não é mesmo? Bem, sorte para mim é o encontro do preparo com a oportunidade. Quanto melhor preparado, menos sorte precisará. A sorte envolve preparo constante, a serenização da mente para enxergar as oportunidades e atitude para aceitar oportunidades ou arriscar soluções.

Na teoria do Código Interior eu defendo a tríade do sucesso: 1) Consciência (saber o que quer); 2) Serenidade (audição interior pela quietude da mente), e; 3) Ousadia (colocar em prática as sugestões advindas da consciência e serenidade para buscar o que se quer). É um ciclo contínuo!

Há várias técnicas de serenização da mente. A meditação, a oração, a respiração, a yoga, o tai chi chuan, entre outros inúmeros recursos. Pergunte ao seu médico ou terapeuta sobre técnicas de serenização da mente. Leia livros e artigos a respeito. Programe alguns minutos por dia, sempre no mesmo horário, para aquietar sua mente e dê mais “ouvido” às suas intuições, pois eu acredito que você tem agora em algum lugar de sua mente a solução para a resolução de algum problema que eventualmente te aflige.

Para todos que se consideram donos de mentes agitadas, inquietas eu sugiro carinhosamente: Busque dentro de si a resposta que procura e depois me conte como foi!

Para saber mais sobre o Código Interior visite www.chafic.com.br e acesse a sessão “Blogs temáticos”

Abraços e muito sucesso!

Prof. Chafic

sábado, 23 de maio de 2009

Direitos humanos sem obrigações sociais.



Prof. Chafic Jbeili - www.chafic.com.br

Há um centro comercial que freqüento pelo menos duas vezes por semana. Neste lugar há uma lanchonete, um banco e um caixa eletrônico que estão na minha rotina semanal. O estacionamento é ao ar livre, onde um jovem de aproximadamente dezenove anos, não mais do que isto, se oferece para vigiar os carros que ali estacionam.

Fico admirado pela força de vontade dele querer trabalhar e ganhar alguns trocados, inclusive os meus que de vez em quando dou. às vezes, quando lhe dou umas moedas penso que estou cooperando para que ele permaneça nesta condição, mas também penso que, se não dou, posso estar privando-o deste ímpeto trabalhista e produzindo mais um futuro marginal que ao invés de trabalhar, decidirá roubar. Vai saber né? De qualquer forma, sempre que "pago" pela vigiada, pergunto: "Tá estudando?" e ele responde que sim! Tomara que seja verdade, pois o único recurso palpável que pode realmente mudar a vida de uma pessoa é a Educação.

Bem, estive neste local dias atrás e o jovem me disse com um sorrisão estampado no rosto: “Eu irei casar naquela igreja semana que vem...” e apontou para uma Igreja Evangélica do outro lado da rua. Confesso que perdi o chão, pois em questões de segundos pensei como seria a vida familiar deste jovem. A relação com a esposa, a educação dos filhos, a reunião de pais na escola de seus futuros filhos, a manutenção familiar de modo geral. Pensei na vida dele daqui a cinco ou dez anos e com dois ou três filhos para criar, vestir, alimentar, dar estudo, amar, instruir para a vida etc.

Não subestimei a capacidade do jovem, pois sempre acredito e aposto no potencial das pessoas, mas me preocupou sua condição social para produzir algo que chamamos de “célula da sociedade”, a família. Minha primeira filha eu tive aos dezenove anos e nem quero lembrar as condições que precisei submeter uma mulher e uma criança para poder usufruir do meu direito humano de casar e ter filhos incondicionalmente. Esta política da incondicionalidade está errada. Eu me vi naquele jovem e me assusta saber que ainda se pode casar e ter filhos sem qualquer preparo pessoal ou condição social.

Foi então que a inspiração desta reflexão brotou instantaneamente. Todo mundo tem o direito humano de casar e ter quantos filhos quiser se assim decidir, mas ninguém tem a obrigação social de garantir manutenção à família, nem de apresentar condições e capacitação mínimas para geração, criação e educação de filhos.

Seria desumana uma lei que permitisse ter filhos somente aquelas pessoas que apresentarem condições mínimas para isto? E ainda, que as pessoas candidatas a pais apresentassem uma família estruturada como “avalista”? Porque o Governo preza tanto pelos bens móveis e imóveis, a relação de consumo, mas não há qualquer cuidado semelhante com a geração de famílias e criação de filhos? é tanto selo exigido das indústrias para produzir uma simples salsicha e porque não se exige um nada para produzir filhos?

Será que exigindo mais dos candidatos a progenitores não haveria menos crianças dormindo debaixo de pontes, sendo abusadas psicológica e sexualmente pelos próprios pais ou responsáveis?

Porque os direitos humanos privilegiam quem não tem condições de ser pai ou mãe, garantido-os o direito de copular e parir incondicionalmente e, ao mesmo tempo, pune o fruto deste ato mais animal do que racional, colocando no mundo uma ou mais crianças que irão nascer sem as mínimas condições para serem geradas, criadas e educadas? Basta que veja o perfil dos pais de bandidos e marginais que assombram a população, salvo raríssimas excessões.

Minha reflexão insiste acreditar que o caos social, a violência, a criminalidade é culpa da política inconseqüente de praticar e garantir direitos humanos incondicionais sem exigir obrigações sociais prévias e também posteriores na consecução de família e geração de filhos.

Esta política é a mesma que privilegia o bandido e pune a vítima, tal qual fez Dom José Cardoso Sobrinho, arcebispo de Olinda, quando perdoou o padrasto estuprador e excomungou a criança estuprada. Tal qual faz o sistema penitenciário que concede indulto aos presos enquanto confina o cidadão de bem.

Eu reconheço a importância dos direitos humanos. Considero-me um eco-humanista porque sou preocupado com a condição pessoal, social e psicológica de cada ser vivo e sua interação com o meio ambiente. Só não considero saudável a incondicionalidade dos direitos humanos, onde os humanos de bem são preteridos e os humanos do mal. privilegiados.

Quando vejo o caos social fico tentado a encontrar uma causa mais elementar para toda esta desordem e desigualdade social que testemunhamos e vivenciamos no dia a dia. Neste momento não penso outra causa senão a incondicionalidade dos direitos humanos sem as obrigaçoes sociais prévias e posteriores ao exercício dos direitos humanos.

Abraços,

Prof. Chafic
Chafic Jbeili
Psicanalista e Psicopedagogo
Diretor e editor Chafic.com.br - www.chafic.com.br
Diretor-executivo ABMP/DF - www.abmpdf.com
Presidente Sopensar - sopensardf.blogspot.com

www.Chafic.com.br
Suporte e formação continuada para educadores
(61)3377-9175 | (61)8490-3648 | chafic@chafic.com.br
www.chafic.com.br - Brasília-DF | Brasil

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Se liga!



Se liga!
Prof. Chafic Jbeili – www.chafic.com.br

Como é mágico, quase divino quando encontramos no nosso caminho ou na convivência diária pessoas perceptivas, conscientes de si e do outro. Este tipo de pessoa não apenas é sempre mais conveniente em sua postura e trato com os demais, como também o conteúdo de suas conversas é sempre edificante.

Pessoas perceptivas, conscientes de si e do outro deixam sempre muito de si em nós. Por isto estão sempre sendo requisitadas. Suas presenças sempre cobradas.

É diferente com pessoas alheias e inconscientes de si. Que não colocaram para funcionar o famoso “desconfiômetro”. Mal percebem a inconveniência de suas palavras, de seus gestos, de seus atos. Mas até aí tudo bem, pois ninguém é obrigado a nascer consciente de si. Aliás, todo recém-nascido tem comportamento inconveniente, por natureza. É uma questão de sobrevivência e por isto compreendemos melhor as crianças do que adultos, em suas atitudes inconvenientes.

Acontece que a criança criada sem modos, sem referência de postura, entre outras tantas coisas, invariavelmente será um adulto mal educado, sem modos, que não aprendeu a policiar seus pensamentos e maneiras de agir, também por isto, se tornará um adulto mal querido, indesejado, antisocial, inconveniente.

Há pessoas que se assentam no ônibus com as pernas abertas ou os braços sobre o apoio central, ocupando mais da metade de seu espaço. Outras esticam as pernas pelos corredores do ônibus, do consultório, da casa e não recolhem o “trem de pouso” para o outro passar. Outras pessoas falam alto quando conversam ou atendem ao telefone; é bem provável que também contam piadas em enterro e certamente comentam do que lembram exatamente no momento crucial do jornal ou do filme. São os mesmos que pegam emprestado e não devolvem, comem o seu lanche e ainda riem dizendo: “eu estava com fome e peguei sua maçã!”.

Fazem tudo isto e também bocejam sem tapar a boca com a mão, tossem na sua nuca porque inconscientemente elas dizem: “Eu não pedi para nascer e você agora é obrigado a me agüentar...” ou ainda “Vocês vão ter que me engolir”.

Para o inconveniente todos são agraciados ou culpados por sua inestimável ou indesejada existência. Ou acreditam que são mais especiais do que os demais e por isto podem tudo; ou porque se sentem um peso, mas como não pediram para nascer, então punem as pessoas com a sua grosseria.

Como é bom lidar com pessoas que aprenderam bons modos e mantém a mínima postura, trivial para o convívio do dia a dia. Eu mesmo me policio para ser o mais leve possível na presença do outro, seja na rua, no consultório, na escola ou mesmo em minha casa. Ambientes comuns exigem pessoas conscientes de si para que haja convívio harmonioso e produtivo. Esta é a minha batalha diária!

Para o filósofo Platão o objetivo da Educação, seja ela no seio familiar ou no meio acadêmico é desenvolver e enaltecer a virtude e o desejo de converter a pessoa ou converter-se a si mesmo num bom cidadão, portanto, eduque as crianças no caminho em que devem andar e não será preciso punir os homens, ainda que dizendo: Se liga!

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terça-feira, 21 de abril de 2009

Humildade e vitória.


Humildade e vitória.
Chafic Jbeili – www.chafic.com.br

Conta a história, havia um macaco muito orgulhoso que resolveu subir a mais alta e proibida das árvores como forma de testar sua autoconfiança e também para conseguir o reconhecimento e respeito de todos seus parentes e colegas, pois este era o seu sonho de vida.

Quando o macaco estava quase chegando ao topo encheu-se de si mesmo, antecipou sua vitória e subestimou os riscos existentes na etapa final de sua empreitada. Não deu outra! O macaco escorregou e caiu como bola repicando nos galhos da gigantesca árvore. Arranhou e machucou costelas, braços, pernas, cabeça e todo o corpo, até que conseguiu - com o rabo - se agarrar desesperadamente em um dos últimos galhos, protelando sua queda ao solo.

Dependurado pelo rabo e a quatro metros do chão, o assustado macaco mantinha incólume sua soberba. Com o corpo e o orgulho feridos, permaneceu recolhido, triste, sem deixar transparecer suas dores, mas também não conseguia se ajeitar para descer o restante da árvore, pois seus braços e pernas estavam muito feridos e seu sonho parecia haver morrido no acidente.

Ele permaneceu ali por alguns dias e as feridas internas e externas só iam se agravando. Os outros macacos bem que tentavam lhe dar água e comida, mas ele ainda estava muito alto para ser ajudado. Até que um macaco ancião disse-lhe: filho, acabe de cair para que possamos ajudá-lo. Se permanecer aí, como está, morrerá como fracassado, mas se acabar de cair, poderemos ajudá-lo e então poderá tentar novamente quando estiver recuperado. O macaco, com muito custo, aceitou a proposta. Soltou o rabo, despencou e desmaiou de tanta fraqueza e vergonha.

Quando acordou estava limpo, alimentado e com as feridas pensadas. Utilizou da derrota para tirar lições e planejou melhor sua nova empreitada na escalada da grande árvore. Pouco tempo depois partiu determinado, melhor preparado e finalmente conseguiu realizar sua proeza. Na descida, pisou o solo em segurança e foi aclamado por todos. Havia realizado seu sonho porque havia aprendido dominar seu orgulho e exercitar sua humildade!

Moral da história: Quantas pessoas estão presas pelo rabo (orgulho), com o corpo e a alma feridos, mas se mantém inatingíveis, inajudáveis? Permanecem silenciosas ou lamuriosas; ariscas ou extremamente passíveis; frustradas, deprimidas por causa de seus fracassos e não se permitem acabar de cair para que possam ser ajudadas e assim recobrar suas forças e elaborar melhor nova investida em sua empreitada de vida.

Quantos sonhos essas pessoas têm presos pelo rabo (orgulho), só porque não deu certo a primeira, a segunda ou a terceira vez? Um sonho não acaba nunca. Ele permanece latente até ser realizado! Por isto as pessoas não deveriam nunca desistir de seus sonhos. Não é o acidente de percurso que invalida um sonho, mas deixar de acreditá-lo por não o ter realizado, ainda. Não é a derrota motivo de vergonha, mas viver nela, justificando-a sempre.

É preciso vencer o orgulho e exercitar a humildade, como fez o macaco quando decidiu desenrolar o orgulho e acabar de cair. É preciso permitir que as pessoas nos alcancem e nos ajudem, nos dêem apoio e forças para continuar. As maiores mudanças internas acontecem no exercício da humildade.

Como bem disse o escritor e diretor de cinema George Arliss: “A humildade é a única sabedoria verdadeira pela qual nós preparamos nossas mentes para todas as possíveis mudanças da vida."

Desejo a você uma semana suficiente, repleta de humildade e vitória!

Abraços, fraternos,

Chafic
Prof. Chafic Jbeili
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domingo, 12 de abril de 2009

Família e aprendizagem



Por Chafic Jbeili –www.chafic.com.br

Nosso primeiro laboratório é a família. É neste grupo que iniciamos nossas primeiras experiências, nossas primeiras aprendizagens. Não importa quem são as pessoas que formam esse grupo, se são ou não consangüíneas, elas sempre farão parte do que eu considero família.

É esta família que nos proporciona os primeiros estímulos visuais, auditivos, táteis, olfativos e degustativos. Nossas primeiras e últimas referências. Conscientes ou inconscientes.

Nosso cérebro capta, assimila, classifica e armazena as informações para serem utilizadas posteriormente. É por isto que não importa o tanto que algumas pessoas dizem não gostar de sua família, mas no fim está sempre, de alguma forma, buscando-a em sua jornada de vida.

As informações são inúmeras e é necessária muita disciplina para potencializar a assimilação de tantos subsídios vivenciais. Disciplina também se aprende em casa, na família, logo nos primeiros anos de vida.

Em um segundo momento, concomitante à parte biofisiológica, surgem as referências éticas e morais. Os princípios, os valores e com eles aprendemos discernir as coisas. Cada qual do seu jeito e com base naquilo que aprendeu. Não apenas o básico dos primeiros anos de vida, mas também o tom de voz, o olhar, as reações, o vocabulário e o gestual.

Quanto de nossas famílias tem nas coisas que fazemos, sentimos ou pensamos. Quanto de nós tem em nossa família. Saímos dela, mas ela permanece em nós. Formamos outras famílias e ajustamos a segunda, de acordo com a primeira. Aproveitamos os referenciais positivos e ajustamos os referenciais negativos e, assim, evoluímos as famílias atuais, com base nas famílias anteriores.

Não é apenas a educação que vem do berço, da casa, da família. É também a forma como aprendo, pois a aprendizagem é tão dinâmica e sistêmica quanto a própria família. Não adianta dizer que não aprendeu nada ou que aprendeu tudo com a família. Não é tão menos e nem tão mais. É apenas o que foi possível elaborar daquilo que se viu ou viveu.

A família é a plataforma de lançamento do indivíduo, tal qual a relação da Nasa com seus foguetes espaciais. A família é o porto – seguro ou não – do indivíduo, tal qual a relação do Porto com suas embarcações. Foguetes e barcos ficariam mais seguros se permanecessem em suas bases e portos, mas eles não foram feitos para ficarem atracados e sim para ganharem o espaço ou o alto mar.

É chegada a hora em que foguetes, embarcações e indivíduos precisam ser lançados de suas bases. É o preparo anterior ao lançamento que determinará a segurança desta jornada. Não se pode ensinar nada a foguetes e embarcações, pois estes são comandados por botões acionados por pessoas, mas os indivíduos precisam ser educados, disciplinados e ensinados a conduzir sua própria jornada, pois não importa o tanto de botões que a família aperte, cada indivíduo seguirá aquilo que aprendeu – tanto negativo quanto positivo com a sua família.

É a família que ensina - de um jeito ou de outro - o padrão de aprendizagem de seus membros. Como sua família te ensinou a aprender? E como você tem ensinado sua família a aprender? É por isto que acredito ser a família, senão a mais importante, certamente uma das principais bases do padrão de aprendizagem dos indivíduos e, por isto, considero as facilidades e dificuldades da aprendizagem um reflexo psicogenético da própria família.

E você, o que pensa sobre família e aprendizagem?

Abraços e até a próxima segunda!

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