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quarta-feira, 4 de junho de 2008

Um bicho papão chamado depressão infantil




(Chafic Jbeili)

Atualmente cerca de 3 a 11% da população adulta sofre com esta doença. Embora não escolha idade a Depressão também tem sido detectada, com relativa freqüência, em um número cada vez maior de crianças. Estudo recente revelou que 15% dos adolescentes e 90% das crianças sofrem de Depressão, contrariando pesquisas anteriores que constatavam a Depressão em apenas 10% da população infantil. De difícil diagnóstico no público infantil, esta doença desafia pais, professores, médicos e psicólogos. Todos precisam estar atentos para reverter o quadro, o quanto antes, e amenizar o impacto negativo de seus efeitos, que podem durar por toda uma vida quando não tratados devidamente.

A origem da Depressão na criança

Ainda permanece desconhecida a origem exata da Depressão, tanto em adultos quanto em crianças. A explicação científica mais atual que se tem é da ocorrência de um desequilíbrio bioquímico caracterizado pela queda nos níveis de Serotonina (responsável pela motivação, apetite, humor), Noradrenalina (responsável pela energia física, interesse, concentração e sono) e Dopamina (responsável pela sensação de prazer e bem-estar). Essa desestabilização hormonal, por sua vez, pode ser desencadeada variavelmente por eventos biológicos causados por: vida sedentária, problemas glandulares, mutações adaptativas (idade) e alimentação insuficiente ou inadequada. Sabe-se que uma alimentação pobre em carboidratos (encontrado no arroz, milho, trigo e outros cereais) pode desestabilizar a produção de Serotononia e provocar o estado depressivo. A Dra Tânia de Guedes Muniz Gaspar, nutricionista em Brasília, acredita que a dieta desequilibrada, baseada em lanches rápidos, associada a outros fatores, contribui para o estado depressivo em crianças.

Esta disfunção química no cérebro também pode ocorrer provocada por eventos psicológicos considerados traumáticos, tais como: perdas significantes (morte de ente querido), frustrações (escolares, sociais), conflitos familiares (brigas, divórcio), mudanças adaptativas (escola, bairro, cidade) e que também afetam a produção de neurotransmissores causando oscilação de humor, ansiedade e inclusive o pânico.

Como reconhecer a Depressão na criança

Um sintoma isolado ou esporádico não pode caracterizar nenhuma doença. Antes, é preciso vários sintomas ocorrendo ao mesmo tempo e, mesmo assim, por um período maior que duas semanas. É preciso ter bom senso no uso dessas informações, sabendo que o médico, de preferência o psiquiatra, e o psicólogo são os profissionais mais indicados para realizarem a observação e a entrevista clínica para fins de diagnóstico e prognóstico. Entretanto, os pais devem ficar atentos aos seguintes sinais:

0 a 3 ANOS

Bebês, nesta faixa etária, ficam indiferentes ao meio, seu semblante é triste e seu olhar vago e lastimoso. Ficam quietos a maior parte do tempo. Próximos à inércia, mal balbuciam e quase não reagem aos estímulos visuais e auditivos. Quando movimentam braços ou pernas é com lentidão que o fazem. Geralmente este comportamento é acompanhado por moderação no apetite e prolongamento do período de sono habitual. Perturbações psicossomáticas também podem ser observadas, tais como: taquicardia, reações alérgicas freqüentes, respiração ofegante, dores no corpo sem causa aparente refletidas por choros pesarosos e sofridos.

Entre os 2 e 3 anos a Depressão pode manifestar-se com quadro de Ansiedade de Separação, onde podemos observar uma maior aproximação e apego excessivo à pessoa de maior convívio, geralmente a mãe. Outros sinais da Depressão, nesta faixa etária, são: atraso da linguagem, encoprese (faz cocô na calça mesmo depois de aprender a usar o piniquinho) e enurese (faz xixi na calça ou na cama). Somente nos casos de Depressão grave, pouco comum nesta idade, podem aparecer idéias delirantes onde a criança afirma estar vendo vultos, imagens e bichos ou mesmo dizer amedrontada que algo ou alguém quer pegá-la.

3 a 10 ANOS

Nesta faixa etária as crianças deprimidas somatizam o transtorno afetivo, o qual se manifestará através de dores por todo o corpo, em especial na região da barriga e cabeça. Geralmente têm dificuldade em ganhar peso e apresentam algum déficit em seu crescimento. Além do semblante triste, estão sempre nervosas e irritadas, ficam hiperativas e também mais agressivas. Oscilam facilmente entre a coragem e o medo inespecífico. Perdem o interesse por atividades lúdicas e apresentam perdas significantes no rendimento escolar devido a maior dificuldade de concentração. As respostas aos estímulos são freqüentemente desproporcionais, por exemplo: destrói furiosamente um brinquedo só porque a pilha acabou.

É também nesta fase do desenvolvimento, dos 3 aos 10 anos, que a criança aprende e experimenta suas competências sociais, colocando em prática sua capacidade de relacionar-se e competir com as outras pessoas. Estão sempre se comparando no intuito de se afirmarem como pessoa. As manifestações indicativas de Depressão, mais comuns nesta fase, são a propensão ao isolamento e a timidez exacerbada, percebida nas atividades coletivas. Pensamentos auto-depreciativos, bem como a mentira tornam-se mais freqüentes. Sabe-se que muitas das dificuldades de aprendizagem têm como pano de fundo a Depressão nesta fase da vida.

Entre 6 e 12 anos, as crianças acometidas de Depressão, além dos sintomas básicos anteriormente citados, podem apresentar também comportamento anti-social grave, contrariando os princípios sóciofamiliares e passam a cometer, propositadamente, delitos, condutas agressivas e até pequenos furtos, sendo erroneamente rotulados de “delinqüentes” quando na verdade precisam de atenção e assistência.

Tratamento

Como toda e qualquer doença, quanto antes diagnosticada e tratada, melhor será a recuperação. Hoje em dia o tratamento é muito eficiente e, levando em consideração o estágio da doença, a idade e a estrutura biopsicosocial de cada criança, a melhora pode ser sentida logo nos primeiros meses de medicação combinada com terapia cognitiva. O tratamento pode durar entre 3 meses a 2 anos.

Segundo informações médicas, evita-se o tratamento com antidepressivos em crianças menores de sete anos, sendo preferido o acompanhamento psicológico mais intenso.

Sinais de alerta mais comuns:

Os pais ou responsáveis devem procurar o médico ou o psicólogo ao perceber três ou mais sinais concomitantes, por um período maior que duas semanas.

0 a 3 anos

ü choros paroxísmicos (constantes e histéricos)
ü perda de apetite ou recusa de alimentação

ü alteração ou perturbação do sono

ü letargia (a criança fica mais lenta)
ü baixa resposta à estímulos verbais e visuais
ü apego exagerado à pessoa mais próxima, como a mãe.

3 a 6 anos

ü mudanças acentuadas no comportamento
ü quietude (ficam mais tempo sem fazer nada)

ü ansiedade ou agitação descomedida
ü quebra constante de objetos
ü falta de interesse em brincadeiras e atividades com os amigos
ü irritabilidade aflorada e condutas agressivas

ü indisciplina (desobediência e provocações)
ü dificuldade ou resistência na realização de tarefas comuns como banho e alimentação


6 a 12 anos

ü dificuldade de interação pessoal

ü comportamento arredio

ü sentimentos de rejeição e de baixa auto-estima
ü predileção por atividades de risco provocando contusões e machucados

ü queda no desempenho escolar
ü regressão do comportamento (agir como se tivesse menos idade)

ü tristeza com isolamento

ü mal-humor e desinteresse geral

A principal dificuldade no diagnóstico preciso da Depressão Infantil está nas semelhanças que têm os sintomas da doença com as características próprias da idade, podendo deixar confuso até os mais experientes profissionais. Além das crianças nem sempre saberem explicar exatamente o que estão sentindo, outros fatores igualmente responsáveis pelo diagnóstico equivocado são a imperícia e a negligência profissional.


Chafic Jbeili tem formação em psicanálise clínica e pós-graduação em Ciências da Religião e Psicopedagogia clínica e institucional. É terapeuta iridologista. Com 10 anos de experiência, desenvolve palestras sobre educação, processos ensino-aprendizagem, família e saúde do professor.

Contato: chafic.jbeili@gmail.com

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Qualidade de vida: um estilo inspirado na criança!

sabedoria

"Procurei nos livros orientações para uma vida bem vivida, e encontrei na criança não a resposta que eu procurava, mas a inspiração que eu precisava."
Chafic Jbeili

Procurei nos livros da sabedoria quais os mistérios de uma vida bem vivida. Encontrei filósofo falando que ser é melhor do que ter. Descobri que vive melhor quem vive o ser que se é, nas condições que se tem.

Procurei nos livros sagrados o caminho de uma vida plena e com sentido. Encontrei profetas falando de paz, de amor, de compartilhar e de perdoar. Descobri que vive melhor quem ama a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Procurei nos livros das ciências os segredos de uma vida vivida com saúde e longevidade. Encontrei doutor falando em comer bem, dormir bem, fazer exercícios e manter boa higiene física e mental. Descobri que vive melhor quem respeita os próprios limites, do corpo e da mente.

Procurei nos livros dos negócios a estratégia para uma vida de sucesso. Encontrei executivos falando em muita determinação, bastante garra, comedição severa em seus gastos, capacidade de se equilibrar nos altos e baixos do dia a dia, além de muita persistência em uma jornada marcada por dolorosas e consecutivas quedas. Descobri que vive melhor quem pretere o sucesso em favor da genuína felicidade.

Procurei nos livros da vida a experiência do bem viver nas palavras de quem não sabe ler nem escrever. Encontrei ancião falando de raiz, canja de galinha e chá de muitos matos. Descobri que vive melhor quem busca uma vida simples e observa os sinais que a vida oferece.

Procurei nos livros das crianças a fonte de uma vida alegre e divertida. Não encontrei qualquer delas disposta a investir um segundo sequer de seu precioso tempo para falar de coisa séria. Só escutei risos, sapateados e o vulto daquelas que não paravam de correr ventanejantes de um lado para o outro. Descobri que vive melhor quem, de vez em quando, se liberta e retoma a dinâmica lúdica da infância, ainda que por alguns minutos apenas.

Depois de tanto procurar descobri que vive melhor quem:

1) Busca maior autoaceitação. Cada pessoa é muito maior e melhor do que comumente acredita que é. A psicopatologia da neurose subsiste do conflito entre quem a pessoa pensa que é e quem ela gostaria de ser. Lembre-se: Pessoas gostam de pessoas que gostam de si mesmas. Virtude-chave: Compreensão.

2) Reconhece suas limitações. Crer que há um Deus no controle de todas as coisas é essencial para que a pessoa evite a pesada, pretensiosa e falsa crença de possuir controle sobre coisas e pessoas. Ser responsável não implica ter poder. Lembre-se: Não se preocupe com as coisas que não pode fazer nada. Com as demais, faça algo ao invés de apenas se preocupar. Virtude-chave: Fé.

3) Atende suas necessidades. A saúde é um bem precioso e prescinde qualquer ação. Um corpo fraco e mal nutrido dificilmente conseguirá realizar a mais banal das tarefas. Lembre-se: O único espaço em que a pessoa tem posse plena, irrestrita e vitalícia é o próprio corpo. Se não cuidar dele, onde mais poderá viver? Virtude-chave: Disciplina.

4) Goza boa capacidade de discernimento. É preciso saber viver com equilíbrio. Metas e objetivos são bons apenas enquanto não comprometem os limites do corpo e da alma. De que adianta ganhar o mundo inteiro e perder as pessoas queridas e amadas? Lembre-se: A felicidade não tem, necessariamente, qualquer vínculo com o sucesso. O contrário também é verdadeiro. Virtude-chave: Sensatez.

5) Aprecia as coisas simples da vida. Observar uma formiga que trabalha, uma nuvem que passa em majestoso silêncio, a revoada de um sedento beija-flor. Perceber que vai chover, sentir o cheiro da terra, pegar uma pedrinha de granizo e dividir o guarda-chuva. Reparar na folha que cai, na aranha que tece, no cupim que corrói enquanto se saboreia uma suculenta jaboticaba colhida no pé. Lembre-se: As coisas mais simples também são as mais extraordinárias. Viva-as mais vezes. Virtude-chave: Gratidão.

6) Revive ou recria a própria infância. Se não há o que reviver de sua infância, então recria-a para vivê-la agora e aos poucos. Uma historinha bem lida, uma gargalhada bem dada, doces, pipoca e traquinagens. Aproxime-se do chão, vire uma, duas, três cambalhotas protegendo sempre a cabeça. Balance o corpo enquanto come um biscoito. Faça caretas no espelho, ria da vida, da sorte ou da morte... apenas ria. Lembre-se: Se não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus. Virtude-chave: Humildade.

Em geral, a criança gosta de si mesma; mesmo sem concordar reconhece suas limitações e, por isso, sabe que é frágil e dependente dos outros, pois não pode obter aquilo que precisa de si mesma. Faz o que for preciso para ver suas necessidades atendidas, depois se cala e dorme. A criança se ocupa em ser feliz e não se preocupa em ser bem-sucedida; ela sabe bem apreciar e vibrar com as coisas mais simples que lhe apresentam; a criança preserva a capacidade lúdica de recriar a cada instante um mundo diferente, uma fantasia nova.

Autor: Chafic Jbeili | www.chafic.com.br

terça-feira, 29 de abril de 2008

Na plenitude da felicidade, cada dia é uma vida inteira!

Chafic Jbeili | www.chafic.com.br

A velhice é, e deveria ser considerada por todos, um tempo maravilhoso da vida. É parecido com o clássico entardecer do dia, quando as pessoas mais sensíveis param e se permitem curtir o espetáculo do pôr-do-sol, percebendo, mesmo sem entender, que há algo muito maior e mais importante do que a busca frenética e mesquinha pelo dinheiro, pela fama e pelo poder, a qual está empenhado o mundo.

A velhice é o tempo da contemplação, da pausa, do descanso e da reflexão. É ao entardecer que voltamos para casa e para nossa família, ansiosos para contar como foi o dia. É o momento mais oportuno para recobrarmos nossas forças, renovarmos as esperanças (nossas e dos outros) e planejar o dia seguinte. Contudo, está contido na velhice assim como nas atividades do entardecer, dois elementos fundamentais e imprescindíveis para o desfrute pleno de uma vida tida como digna: Considerar-se produtivo e sentir-se amado. Daí a vital importância e incisiva influência do trabalho e dos relacionamentos em nossas vidas, cuja harmonia biopsicosocial e espiritual dependem.

Percebo que de todas as queixas dos idosos, as menos significativas para eles são: A dor, a escassez financeira, as limitações físicas e as doenças. No entanto, o semblante desses guerreiros imbatíveis se desfalecem instantâneamente quando expressam sentimentos de menos-valia, dizendo que já"não servem para mais nada" ou quando relatam abandono, quer seja pelos entes queridos ou por aquelas pessoas de quem se esperava alguma gratidão ou consideração nessa fase da vida.

Em sua maioria, a essência subjetiva de qualquer queixa está vinculada a essas duas últimas, improdutividade e falta de amor, simbolizadas pelas nuanças pertinentes à idade e pelo abandono vivenciado pelo idoso, respectivamente. Uma perfeita compreensão dessa dinâmica, consequentemente, proporcionará ao idoso uma nova indicação de como proceder em cada caso. E, ao perceber que se vive assim para certificar-se ou justificar-se de possíveis fracassos sua energia psíquica logo se direcionará para atividades mais prazerosas e produtivas, melhorando consideravelmente seu bem-estar psicosocial e, inclusive, amenizando as dores e doenças psicossomáticas.

O mais importante, ante essas situações, é perceber os valores pessoais, as experiências que se adquiriu ao longo da vida e elaborar um "plano de ação" para esse tempo da vida. De qualquer forma, é necessário que haja incentivos e ações suficientemente poderosos para superar a auto-crítica depreciativa e sobrepujar as forças retardadoras para o desfrute de uma velhice feliz. A par dessas possibilidades, conseguir aceitar a si mesmo em suas condições já constitui, por si só, um feito extraordinário. O alívio gerado pela libertação dessas amarras, melhorará a qualidade dos relacionamentos com os outros e consigo mesmo, tornando o idoso mais forte emocionalmente. E quanto mais emocionalmente forte estiver um idoso, menos se sentirá ameaçado pelas outras pessoas ou pelas circunstâncias. Daí para o "produzir" é um pulo, afastando o tédio, a tendência ao vício e a tristeza. Quanto ao amor, mais vale um amigo por perto do que um parente longe. Aprenda a valorizar as pessoas que se importam com você e estão dedicando suas vidas ao seu conforto e bem-estar ao invés de gastar esse tempo tão precioso com aquelas pessoas que não estão nem aí para você.

Em qualquer fase da vida a capacidade de se adaptar ao novo é essencial para gozar o prazer em viver, quer seja (re)aprendendo com o mais novo ou com o mais velho, quer seja ensinando ao mais novo ou ao mais velho. Assim, muitos são os motivos pelos quais é possível que a velhice seja um período prazeroso, produtivo e emocionante da vida. Seja qual for sua idade, se se julga velho ou novo, traga à memória somente aquilo que lhe pode dar esperança. Curta intensamente cada momento do dia, pois afinal, como bem disse, aos 86 anos, o poeta e escritor alemão chamado Goethe: "Na plenitude da felicidade, cada dia é uma vida inteira".

quinta-feira, 17 de abril de 2008

O fascinante poder da aprendizagem

Por Chafic Jbeili || www.chaficjbeili.blogspot.com

Poder não é só para heróis dos quadrinhos ou da TV. Não é mera ficção existencial, antes, é força de ânimo e energia de vontade. Poder também indica posses. Chamo de poder toda e qualquer iniciativa para, arriscando-se, conseguir o que se pretende no nível em que se é hábil ou capaz. Neste sentido, "poder de aprendizagem" é canalizar com destreza a latente força humana que emana da energia psíquica, para saciar o desejo de saber, do latim sapere, "ter gosto".

O que é fascinante no exercício deste poder é o esforço em saborear o sentido natural da vida, aprendendo a utilizar com prudência, moderação e objetividade as informações e o conhecimento que se apossou, visando qualidade na integração pessoal e social. A isto chamo de desenvolvimento sadio da capacidade e potencial, intelectual e moral, da pessoa humana em todas as fases de sua vida.

A metanóia humana inicia-se com a aprendizagem. É deste transformar fundamental do pensamento que se efetiva a evolução e a manutenção da vida em todos os sentidos. Aprender é incluir-se no contexto humano como gente. Gente que pensa, que fala e que escreve. Gente que cria e que destrói, não para saciar Tanatos, mas para fomentar Eros no reconstruir o pensar, o fazer ou o aprender, não importa. Aprender liberta, iguala, estabelece e evidencia o ser aprendente. É ele quem traz à existência o ser ensinante. Este paradoxo educacional é fantástico, vez que o aluno, que quer dizer "sem luz", traz à luz aquele considerado iluminado, o seu próprio Mestre!

Poder aprender é condição fascinante na medida em que é quase mágica e totalmente encantadora. O irresistível ato de aprender tem em si força de gravidade vertical, que atrai aleatória e espontaneamente gente de todas as idades, raças, sexos e status sociais. Este ímpeto é reforçado pela tácita tendência humana à satisfação de seus questionamentos e a necessidade em desvelar o desconhecido. Na verdade, o ser aprendente não busca uma resposta, mas a confirmação daquilo que desconfia em sua imaginação. Sendo assim, serão mais beneficiadas nos processos da aprendizagem aquelas pessoas, da criança ao idoso, cuja imaginação seja estimulada e cujas curiosidades não sofram repressão, censura ou mesmo escárnio.

Neste contexto, bom ensinante não é aquele que busca aprovação de seus alunos ou discípulos, querendo provar desesperadamente sua capacidade e seu brilhantismo mas, o bom ensinante é aquele que faz o aprendente perceber-se único, brilhante e capaz. Nas palavras de Hermann Hesse, o ser ensinante original é aquele que diz ao ser aprendente: "Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens, além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo".

quarta-feira, 9 de abril de 2008

O Poder da Aceitação (Chafic Jbeili)


A aceitação é uma importante disposição para quem deseja o sucesso, a prosperidade e a felicidade. Para obtê-las é preciso primeiro aceitá-las mentalmente. Por isso, muitas pessoas correm tanto atrás dessas coisas e – propositadamente – não as alcançam. No fundo, no fundo elas não acreditam que podem e merecem ser felizes. A aceitação é também como uma semente de paz e de serenidade que tantas pessoas possuem guardada, mas que por algum motivo não se dispõem a plantá-las para que essas prosperem e dêem frutos.

As pessoas que não usufruem do poder da aceitação são sempre mais estressadas e reativas. São, aos seus próprios olhos, mais dignas das situações negativas do que propriamente do sucesso e da prosperidade. Resistem ao prazer. Ficam ansiosas e sentem um certo desconforto se, por exemplo, estiverem gozando de progresso e relativo sucesso, achando continuamente que alguma coisa vai dar errado e, até cooperam para isso. Interpretam a sensação de felicidade como presságio de uma inevitável desgraça pois, vovó já dizia: “muito riso é sinal de choro!” ou “Santo quando vê muita esmola, desconfia!”. Cuidado com essas crenças inadequadas.

O poder da aceitação não sugere o acolhimento autopiedoso de si mesmo e não deve ser interpretado como ato passivo a um estado, humano ou circunstancial, final, estagnado e imutável. Antes, é reconhecer o que se é, e o que se tem, como ponto de partida para ser ou conquistar aquilo que se pretende. É estar consciente de suas reais capacidades sem contudo subestimar suas potencialidades. O acolhimento de si mesmo, do outro e das circunstâncias, como esses se apresentam é uma das primeiras disposições para quem pretende gozar paz de espírito e se reconciliar com a vida. Pessoas tranqüilas e serenas têm mais chances de acertarem em suas escolhas (e nas provas de concurso!), correm menos riscos de doenças e gozam qualidade de vida, a despeito de suas posses. Contestar a vida, a morte ou o azar é perda de tempo. Experimente deixar sua vida fluir naturalmente como flui um rio. Experimente não tentar controlar o tempo ou mudar as pessoas do seu convívio diário. Experimente fazer sua agenda do dia, da semana ou do mês, como tarefas passíveis de realização e não como infalíveis acontecimentos. Aceite suas perdas e curta suas conquistas, aceite de coração aberto o que a vida lhe oferece e, com responsabilidade, as propostas que recebe. Regozije-se com seu sucesso!

Da mesma forma que ninguém pode respirar sua cota de oxigênio, ninguém também poderá usufruir da sua cota de felicidade, de paz e de serenidade. Esses elementos são seus e estão, agora mesmo, à sua disposição. Use o poder da aceitação para reforçar esse pensamento: Cada pessoa só pode usufruir daquilo que era para ela mesma. Aceite isso, aceite desafios e aproveite a vida!

Cartilha sobre burnout em professores. Distribua!

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