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quarta-feira, 21 de abril de 2010

Imigrantes do Amor

Imigrantes do Amor
Prof. Chafic Jbeili - www.chafic.com.br

Algumas pessoas largam sua pátria, seu solo, sua terra, sua casa, seu trabalho, sua cultura, sua família em busca de melhores oportunidades de emprego, de renda e de vida em uma terra que às vezes só conheceu de ouvir falar. Mas não são dessas bravas e muitas até bem sucedidas pessoas que quero falar agora. Quero falar dos imigrantes do amor, pessoas que se desencantaram com seus atuais parceiros e incucam aventurarem-se na busca de alguém imaginativamente especial, sem igual, perfeito.

Essas pessoas largam seus amigos, seus costumes, suas manias, suas rotinas, seus sonhos e até seus atuais parceiros para irem em busca de melhores oportunidades de afeto, de carinho e de relacionamento a dois; largam tudo por amores que às vezes só ouviram falar nos contos de fadas, nas novelas ou nos romances de Hollywood. Sim! É dessas pessoas que quero falar.

Esse tipo de pessoa se coloca a mercê do próprio coração nesse barco ilusório do amor. Imagina que tudo será diferente com outra pessoa e que não haverá mais desprezo, repulsa ou brigas e desentendimentos. Larga tudo que tem em busca daquilo que jamais encontrará: a própria felicidade na presença do outro. Assim, transfere para o outro o motivo de sua felicidade e parte iludido, obstinado como quem tem um mapa do tesouro nas mãos.

O imigrante do amor tem na mente a certeza de que sua felicidade está na pessoa que ainda encontrará e acaba por deixar a quem tem para planejar ser feliz no futuro com outro alguém. Em breve só lhe restará lamentar o passado e lembrar saudoso daquele(a) que deixou. Com menos esforço conquistaria extraordinariamente quem já está a seu lado.

O imigrante do amor parece escutar a voz de uma amada perfeita lhe chamando o tempo todo e isso não o deixa dormir nem descansar. Parece que ele vê realmente sua amada às vezes sedutora, às vezes vitimada e em ambos os casos rompe motivado em sua jornada de busca alucinada como quem parte para o salvamento ou o resgate de alguém que ansiosamente o aguarda. É a certeza inconsciente de que este alguém está a lhe esperar que faz o imigrante do amor persistir na sua aventura. É a esperança de encontrar nesse alguém ideal a felicidade que tanto almeja para si. É a expectativa de ver nesse alguém o atual parceiro sem defeitos.

Mal sabe o imigrante do amor que poderá estar deixando quem realmente o ama para se entregar a quem poderá lhe fazer sofrer. Que certeza infeliz esta de pensar que a sua felicidade está nas mãos daquela(e) que pode ser o seu/sua algoz. Que armadilha da imaginação! Que emboscada do coração! Pobre de quem deixa o seu bem-querer para dedicar-se àquela(e) que mal lhe conhece e que talvez nunca lhe pertencerá, quiçá querirá tal envolvimento. Como pode alguém gostar de quem não é seu e temer perder aquilo que ainda não lhe pertence? O imigrante do amor faz isto o tempo todo!

Largar uma pátria amada ou um amor declarado para aventurar-se ser (mal) tratado como estranho estrangeiro numa terra forasteira ou num coração desconhecido é coisa de imigrante louco, pois se não encontrar a prosperidade e a felicidade dentro de si, dificilmente encontrará em qualquer pátria ou em qualquer coração que lhe ofereçam abrigo, por melhor que estes possam ser. Quando muito o imigrante do amor será tratado como morto, pois a pessoa supostamente ideal talvez prefira ficar apenas com a lembrança de alguns bons momentos ao invés de querer ficar com aquele que é lembrado, mesmo que vivo e disponível.

Portanto, apaixone-se por quem é apaixonado por ti e dedique-se a quem é dedicado a ti. Não acredite mais em pessoas especiais, mas em momentos especiais com pessoas habituais. 

Então, crie tais momentos com quem já está a seu lado, mesmo que distante!

Prof. Chafic Jbeili
Consultor vivencial, Psicanalista, Psicopedagogo e Escritor.

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domingo, 18 de abril de 2010

Caminhos para a felicidade: 3/3

Caminhos para a felicidade: Parte 3/3
Prof. Chafic Jbeili - www.chafic.com.br

No texto Parte 1/3 destaquei a necessidade de a pessoa elaborar e compreender o sofrimento como primeiro caminho para a felicidade. Na parte Parte 2/3 falei sobre ter amigos e ressaltei a importância da amizade, nem tanto em quantidade, mas imprescindivelmente em qualidade como sendo o segundo caminho para a felicidade. Vejamos agora o terceiro caminho:

Reflita alguns segundos sobre as decisões e atitudes mais malucas, irreverentes ou revolucionárias que você tomou em sua vida, tendo marcando significativamente a sua história. Lembrou de algo? Pois é! O que você provavelmente fez, se fez, com certeza tem íntima relação com o terceiro caminho para a felicidade.

Já imaginou porque a natureza fascina tanto as pessoas? Sabe por quê elas se encantam com as nuvens, com os pássaros ou com os rios? Porque esses elementos usufruem o que todos seres humanos precisam e querem, às vezes a qualquer custo!

Inúmeras pessoas, de todas as idades, que habitam ao redor do mundo estão agora mesmo pensando em uma saída para mudar a própria história, seja por uma necessidade pessoal, moral, social ou mesmo por uma questão de vida ou morte. O que essas pessoas estão fazendo é buscar o que chamo nesta série de o terceiro caminho.

Certamente a compreensão do sofrimento e bons amigos são elementos chaves para o gozo da felicidade nesta vida, contudo, a felicidade não poderá ser vivenciada em sua plenitude caso a pessoa esteja psicológica, física ou financeiramente privada de sua liberdade ou tenha sua autonomia impedida, prejudicada.

A história da humanidade está repleta de atos revolucionários justificados pelos seus fins de liberdade ou libertação. Desde escravos, prisioneiros e desertores de guerra, passando por vilões e mocinhos até príncipes, profetas e estadistas buscaram de alguma forma a liberdade e a autonomia para si ou para o outro. De que outra forma ouvimos a história de Moisés, Dom Pedro I, Mandela, Ghandi ou Jesus?

Por isto a natureza encanta a todos, pois é livre e autônoma. Depende de regras próprias com base em uma interação natural de elementos. Não aprisiona e não se prende a nada! As nuvens se metamorfoseiam com o vento e os rios se esquivam das rochas, mas cada qual vai em direção de seu destino, sem qualquer impedimento. Até as árvores têm a liberdade de permanecerem onde estão. Na natureza, tanto os elementos móveis quanto os fixos são deslumbrantes porque são livres para serem o que são e estarem onde estão. Talvez por isto o homem perverso agride tanto a natureza, pois ela tem o que ele sequer imagina como há de conseguir a liberdade e autonomia das nuvens, dos rios ou dos pássaros.

Aquilo que o homem invejoso não consegue ou não pode possuir e dominar, então agride e tenta humilhar, subjugar. Quem faz isto contra a natureza, certamente fará contra seu semelhante. No fundo no fundo, todo invejoso é também um perverso e vice-versa.

E as pessoas? Têm liberdade de ser quem são e estar onde estão? Têm elas recursos de autonomia suficientes para se dizerem independentes entre si? Nem sempre, nem sempre! Liberdade e autonomia são coisas desejadas por todos. Quando alguém consegue, o outro silenciosamente entra em desespero!

Humanos são reféns voluntários ou vitimados do tempo mal calculado, do trabalho exagerado, dos compromissos mal agendados, das dívidas mal contraídas, das conversas mal versadas, das idéias mal pensadas, das angústias mal choradas, dos traumas mal analisados e das pessoas mal intencionadas. Quem vive assim, vive uma vida de pouca felicidade; uma vida mal vivida.
Inúmeros filósofos e especialistas do comportamento humano tratam a liberdade e a autonomia dos seres humanos como elementos fundamentais à sua existência. A Constituição Federal dos países democráticos contemplam em sua essência e artigos a liberdade de expressão, a liberdade de ir e vir e até aos presos lhe é garantida a tentativa de fuga como princípio de liberdade.

A liberdade é o valor supremo das Nações e ideal de seus cidadãos. A liberdade pressupõe que todo indivíduo tem o direito de exercer sua vontade nos limites que sua cultura e leis lhe permitem. Nesse sentido, nenhuma pessoa, a princípio, deveria estar (ou se colocar) cativa e submissa à vontade de uma outra pessoa, de uma idéia limitadora, de um trabalho explorador ou mesmo "cativante".  Não gosto da frase de Exupéry: "Se tu me cativas...". Ninguém tem o direito de cativar o outro e ninguém deveria se permitir ser "cativado" pelo outro. Pessoas cativas são pessoas que contrariaram o princípio da liberdade e comprometeram a sua felicidade, pensando que estavam fazendo justamente o contrário.

Toda pessoa conformada a uma situação qualquer de subjugação é também proporcionalmente infeliz. Algumas pessoas que vivem cativas costumam sonhar que estão voando ou que estão correndo. Elas têm fascínio por aviões, pássaros e pela natureza, pois se sentem presas a algo ou a alguém e desejam no recôndito de sua alma a liberdade. Muitas jovens nutrem a esperança de que um príncipe montado em um cavalo branco irá salvá-la da torre-prisão, mesmo estando esta torre no ápice de um castelo imperial! Quantas mulheres têm corrido para palácios e castelos deslumbrantes e depois se vêem prisioneiras do medo?

As crianças são as que mais sonham com a liberdade. Quanto mais se tolhe e reprime a liberdade de uma criança, mais se avoluma a rebeldia dentro deste futuro adolescente. Quando a revolta e a raiva contidas não eclodem até a adolescência é muito provável que então surgirá, proporcionalmente, um adulto ansioso, depressivo ou perverso. Pode-se e devem-se impor limites às crianças, dizer não e determinar o que pode e o que não pode ser feito, mas é um risco altíssimo negligenciar a percepção de liberdade que tal criança constrói ao longo de sua infância. Quanto maior a sensação de privação, maior o descompensação emocional.

Entendo que cada qual faz como sabe e consegue fazer. Uns criam e inovam, enquanto outros copiam ou até roubam. Crianças, adolescentes, adultos ou idosos; todos buscam das formas mais criativas, equilibradas, sensatas e até por meio das atitudes mais tolas, bizarras e criminosas a liberdade e a autonomia que a genética lhe cobra, a natureza lhe inspira e o inconsciente determina. O homem foi criado para ser livre e sobreviver das soluções que criar. A autonomia chega quando a pessoa consegue subsistir com os próprios recursos morais, intelectuais e financeiros, cada qual do seu jeito, na medida em que aprendeu ou viu fazer.

Considerando o dinheiro um meio eficaz para a liberdade e autonomia da pessoa; e considerando que a autonomia é um dos critérios da felicidade, então o dinheiro traz felicidade sim! Porém, a idolatria pelo dinheiro pode ter efeito colateral e trazer infortúnio, pois o avarento pode até ter muito dinheiro, mas perderá verdadeiros amigos, comprometendo o segundo caminho para sua felicidade.

Enfim, a maturidade como a pessoa encara seus sofrimentos; a qualidade de suas amizades e o modo como ela conquista e usufrui sua liberdade e autonomia são, em essência, os caminhos da felicidade que, quando trilhados de forma ética, moral e consciente, gera a felicidade, pois a felicidade não é um destino que se pode chegar e sim os caminhos que se trilham, enquanto se vive. Preciso é saber viver. E quem nos ensinará?

Como os pais têm ensinado seus filhos a encarar os problemas da vida? Como a família e a escola têm sido “modelos” de sociabilização e redutos das amizades sinceras? Como os governos e a sociedade de modo geral têm proporcionado aos cidadãos usufruir liberdade e construir autonomia? Serão os adultos de amanhã pessoas capazes de se sentirem plenamente felizes e realizadas? Assim, para que o futuro seja um lugar amistoso, produtivo e bom de se viver é preciso que seja repleto de pessoas hábeis em lidar com desafios, que sejam amistosas e com equilíbrio de liberdade dentro dos limites, além de autonomia suficiente para sobreviver com o que produz, sem subjugar o outro.

Prof. Chafic Jbeili
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quarta-feira, 14 de abril de 2010

Caminhos para a felicidade: 2/3

Caminhos para a felicidade: Parte 2/3
Prof. Chafic Jbeili - www.chafic.com.br

Para a consecução da compreensão do sofrimento, desde os mais corriqueiros e superficiais até aqueles mais arrasadores e profundos, um elemento é extremamente fundamental para esse processo: Um amigo ou uma amiga de verdade! é nesta hora que um estranho presente vale mais do que um parente ausente.

Já foi comprovado cientificamente que a presença de uma pessoa amiga nas primeiras cadeiras de um auditório pode gerar ocitocina suficiente para qualquer orador recobrar sua segurança e autoconfiança, superando o medo de falar em público em meio a tantas pessoas alheias.

A ciência afirma que a ocitocina está presente na contração uterina durante o parto e também na ejeção do leite materno durante a amamentação, causando aquela sensação de conforto, acolhimento e segurança ao bebê provocando amizade eterna entre mãe e filho. Esse hormônio é fundamental na construção e manutenção de vínculos sociais e está amplamente presente nas relações amistosas. Se a p resença de alguém conseguir provocar em seu cérebro a liberação da ocitocina, então pode ter certeza de que o seu afeto por esta pessoa estará determinado. Tanto isto é verdade que a ocitocina foi batizada pelos especialistas como “hormônio do amor”.

Ao contrário do que a presença de um verdadeiro amigo pode aflorar em nós, a presença de uma “perssona non grata” pode inundar nosso corpo com o hormônio do estresse, o cortisol, dificultando ainda mais a atenção, o raciocínio e, por consequência, a sensação de paz e tranqüilidade, conduzindo qualquer um ao estado de tensão, agressividade e instabilidade emocional, o que fará distanciar de tudo aquilo que se pode perceber e sentir como estado de felicidade.

Nesse sentido, as pessoas que são mais afáveis e sociá ;veis e, por isso, têm maior facilidade em fazer e manter amigos contam com uma espécie de “batalhão de choque” contra os revezes da vida. Assim, quanto mais amigos se conseguem, mais rápido se estancam sofrimentos e superam-se crises.

O contrário é verdadeiro: as pessoas mais afastadas, introvertidas e desprovidas de amigos têm baixa resistência aos problemas do dia a dia. Estão sempre se sentindo inseguras, sozinhas e por isso tendem a ficarem mais ansiosas ao menor sinal de perigo, desenvolvendo uma perspectiva triste, solitária e infeliz sobre sua própria vida, pois se sentem mais frágeis e mais vulneráveis ao que está passando.

Roberto Carlos sabia disto quando afirmou em sua canção que queria ter um milhão de amigos para que pudesse “bem mais forte” poder cantar! Grandes profetas e mestres das religiões enfatizaram a importância de se fazer amizade e ter amigos para o fortalecimento do indivíduo e do grupo, comparando a pessoa que vive isolada ao pedaço de carvão de brasa extinta porque se afastou do braseiro ou da folha que se rasga mais fácil quando separada da resma.

Jesus promoveu seus amigos discípulos à condição de irmãos, tamanha a comunhão entre eles e instituiu a Eclésia como lugar de proteção e fortalecimento mútuos.

Afastar-se dos amigos em momento de dor e sofrimento não é uma boa idéia. Querer ficar só, estando mal, não é uma escolha saudável. No reino animal, a espécie que se afasta do grupo é alvo das bestas feras do campo. Se em momento de tribulação a pessoa desejar afastar-se de um amigo ou de seu grupo, ou é porque não se sente segura em re lação àquela amizade ou se sente ameaçada pelo grupo. Assim, tudo que afasta os amigos-irmãos, como a desavença, a desconfiança ou mesmo a falta de tempo e o corre-corre do dia a dia, também diminui a felicidade do indivíduo.

Como cantou Milton Nascimento: “Amigo é coisa para se guardar do lado esquerdo do peito...”. Onde está aquela pessoa que faz seu cérebro produzir ocitocina ao invés de cortisol? Liga pra ela! Amigos duplicam a alegria e dividem a tristeza. Quando há amizade entre casais ou entre pais e filhos os relacionamentos duram muito mais tempo e com maior qualidade, mas quando a presença de uma pessoa libera cortisol na outra, então a dor, o sofrimento e o distanciamento são inevitáveis! O menor problema se agiganta e o ânimo sucumbe.

Não há problema demasiadamente grande ou lugar aper tado quando se está entre amigos, mas o mundo se torna um lugar hostil e pequeno para dois inimigos, não é verdade? Que júbilo pode haver em qualquer coisa se não se tem com quem compartilhar? Que graça tem aquele almoço de domingo; ou um vinho caro; ou um delicioso sorvete; ou ainda a viagem sonhada senão a graça da companhia de alguém? Melhor ainda se for uma pessoa amiga!

Porque será que os comerciais de bebida têm sempre uma roda de amigos? Porque o que dá sabor àquela bebida amarga e intragável é, sem dúvida, a companhia de gente querida. Uma vida sem amigos é uma vida insossa! Nada tem graça, não tem sabor!

Nelson Gonçalves cantou a ausência do pai amigo na canção “Naquela mesa”, pois estava faltando aquele que o compositor chamou de amigo e mais que seu filho era tamb&eac ute;m seu fã. Fábio Júnior sente profunda saudade do pai amigo, saudade esta interpretada na canção “Pai”. De forma que o verdadeiro amigo pode surgir entre pessoas estranhas ou dentro da própria família. Importa que a amizade seja verdadeira e duradoura.

O segundo caminho para a felicidade acontece quando uma pessoa se dispõe a conquistar e manter amigos, sendo amiga! O amigo não precisa ser necessariamente um parente ou um estranho; ser rico, forte ou influente, basta estar presente na quantidade de tempo e com a qualidade de presença suficiente para acolher, alimentar, proteger, compreender e amar. A palavra “amigo” é filha da palavra “amar”.

Triste pensar que boa parte das crianças e pessoas desaparecidas sai de casa por vontade própria em busca de amizade (amor) na rua, nos órgãos assistenciais e até m esmo nos grupos criminosos.

Pais ausentes, entupidos de trabalho, totalmente indisciplinados na divisão de seu tempo perdem a grata oportunidade de desenvolver amizade profunda com seus filhos, mesmo “dando tudo do bom e do melhor”. Mas o homem à toa que fica na esquina pode ser aquele que será chamado de “melhor amigo” pelo filho que se sente abandonado, mesmo às vezes tendo tudo do bom e do melhor.

Qual amizade poderia ser melhor para uma criança do que a amizade de uma mãe ou de um pai? A do cachorro? A de um estranho? Qual pessoa, por mais abastada e sincera que fosse poderia se dizer e se sentir feliz sem que pudesse contar com pelo menos uma pessoa amiga para compartilhar aqueles momentos especiais ou cruciais da vida?

A felicidade só pode ser usufruída se for produzida e, uma vez produzida, para mantê-la latente é necessário que esta s eja compartilhada. Por isto a amizade é elemento fundamental para a manutenção da felicidade produzida, pois ela só é contínua quando é dividida com alguém.

Na próxima segunda-feira enviarei a parte 3/3 desta série! Por favor, compartilhe esta série com seus amigos e também com todos os seus contatos.

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Caminhos para a felicidade: 1/3

Caminhos para a felicidade: Parte 1/3
Prof. Chafic Jbeili - www.chafic.com.br

Tudo o que uma pessoa faz pulsa pela felicidade, sua ou do outro não importa, pois acaba revertendo à sua própria!

A felicidade é um dos temas humanistas mais discutidos por filósofos, pensadores e religiosos de todas as épocas. Como objeto de desejo íntimo inerente a todo ser humano, o tema é amplamente explorado por quem quer vender um produto ou persuadir alguém a uma idéia.

Na ausência de uma pílula da felicidade, substitui-se essa por bens de consumo. E tal como uma pílula, o consumo precisa ser contínuo e sistemático, de tantas em tantas horas, enquanto durar seu efeito: a falsa sensação de felicidade. Arruma-se uma coisa, estragam-se outras! Tudo tem efeito colateral. Remédio, drogas, compras, pessoas...

Afastar a dor e o sofrimento não é o mesmo que buscar a felicidade. Este é um pensamento infantilizado, pois tudo que realmente vale a pena nesta vida é resultado de muito sacrifício. Assim, tudo que abranda o sofrimento em nome da satisfação imediata de uma necessidade real ou imaginária, também abranda a felicidade.

Então ser feliz é permanecer no sofrimento? Que incoerência! Nada disto! Contudo, só poderá usufruir felicidade quem a produzir. De forma que a felicidade é algo produzido em processos que geralmente causam muita dor e sofrimento. Deste modo, toda pessoa infeliz é aquela que ainda não compreendeu a aflição que está passando (passando!).

Pense na bailarina, no cantor, no piloto ou no professor de sucesso! Nunca houve uma exímia apresentação em noite de gala ou em dia de aula sem a presença de calos nas mãos, nos pés ou nas cordas vocais. Não há qualquer pessoa notadamente reconhecida neste mundo que não tenha passado por sacrifícios e por dor de forma sublime enquanto fazia aquilo que acreditava e por isto compreendia a dor.

Qual mulher encararia, suportaria e poderia superar a dor do parto não fosse a compreensão de seu significado? Quem almejaria ser contorcionista? Quem iria querer ser bombeiro ou astronauta? Como poderia Jesus Cristo pedir a Deus que perdoasse seus algozes, enquanto martirizava na cruz, não fosse a compreensão de sua missão?

Qual é a sua missão pessoal ou profissional? Consegue relacioná-la ao que está passando?

Há muitas analogias sobre escuridão e luz. A escuridão é a falta de entendimento, de perspectiva; e a luz representa a compreensão. Luz e trevas são incompatíveis. Da mesma forma, tristeza e felicidade são incompatíveis! O martírio permanece somente até a chegada do entendimento sobre aquela situação, depois vem a felicidade instantaneamente.

Entende-se que o sofrimento dura enquanto não há entendimento, mas a felicidade chega junto com a luz, que é a compreensão sobre um fato angustiante ou uma situação de sofrimento. Afogar as mágoas na bebida ou evitar encarar um problema é permanecer na escuridão e dar vida longa aos sofrimentos. Portanto, se eventualmente estiver passando por um momento de aflição taque logo um holofote em cima dele. Encare-o sozinho ou com a ajuda de pessoas ou profissionais de sua confiança. Analise o sofrimento e compreenda-o o mais rápido que puder!

O primeiro caminho para a felicidade acontece quando você analisa suas vivências e consegue compreender o sofrimento. Não precisa justificá-lo, muito menos aceitá-lo, nem mesmo desejá-lo, mas compreendê-lo de forma bem estruturada nas concepções de uma mente proporcionalmente madura, desvinculando os acontecimentos atuais dos eventuais erros do passado, mesmo que inconscientes, como se o sofrimento de hoje fosse uma inevitável consequência de uma mancada do passado. Quer você lembre dela ou não.

No próximo texto a parte 2/3 desta série!

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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O anjo e o monstro sou eu!



O anjo e o monstro sou eu!
Prof. Chafic Jbeili

Já parou para pensar que o anjo ou o monstro que permeia a sua própria mente ou o pensamento do outro pode ser você?

Eu sempre tive medo do escuro. Não sabia o que havia lá, a não ser o que a minha imaginação arranjasse. Na escuridão, havia os seres mais esquisitos e mais nefastos que minha memória lembrava ter visto nos desenhos, nos filmes ou que eu ouvia nas histórias que me contavam. Bastava uma leve penumbra e as mais horrendas criaturas começavam a surgir desinibidamente, causando-me arrepios, fazendo-me recolher para debaixo das cobertas, mas também me faziam lembrar os anjos e a proteção divina e de meus pais. Eu corria para o colo da mamãe ou do papai, orava e o medo ia embora.

Interessante é que eu nunca fui atacado e agredido fisicamente por qualquer uma daquelas criaturas imaginárias, lógico, embora elas fossem fantasiosamente reais e terrivelmente assustadoras.

Eu cresci, aprendi algumas coisas sobre imaginação e descobri que na verdade os meus monstros nunca existiram, a não ser na minha cabeça, onde elas foram implantadas e, posteriormente, majoradas por mim.

Durante algum tempo eu reproduzi as caretas e os gestos daquelas criaturas. A idéia era fazer com meus irmãos, primos e amigos aquilo o que os monstros faziam comigo: assustar e fazer correr! Eu me divertia com a brincadeira, pois representava bem o assombroso papel.

Eles, os monstros imaginários, pareciam fortes e imbatíveis, mas bastava uma simples lanterna e eles desapareciam instantaneamente. Nenhum monstro é mais forte que os braços de um pai corajoso ou a fé de uma mãe zelosa. Foi então que eu descobri o poder da luz e dos pais, nossos primeiros super-heróis. A claridade e o colo me davam segurança e devolviam minha coragem. A quem temer se eu tinha uma lanterna nas mãos, além do super-homem e a mulher maravilha bem no quarto ao lado!

Mais tarde, quando servi o exército, descobri que a mesma luz que afastava as criaturas sombrias da minha mente também me delatava aos inimigos visíveis e, então, precisei fazer as pazes com a escuridão, pois ela iria me proteger dos meus oponentes e o sargento disse que eu não podia chamar meus pais.

Na escuridão eu me tornava invisível e a invisibilidade me oferecia vantagem estratégica contra as ameaças reais. Além disto, aprendi que era o medo que me preservava a vida, ao contrário da coragem, que me aproximava da morte.

Desde então, variavelmente, uso a luz para fugir da parte obscura da minha imaginação e uso a escuridão para me proteger dos inimigos. Preciso da luz para aparecer e me fazer notar pelos amigos, mas preciso da escuridão para me esconder da extinção. Quando apareço para os amigos me revelo aos inimigos. Quando me escondo dos hostis oponentes, então sumo para aqueles que me querem bem, de modo que não dá para aparecer o tempo todo e nem sumir permanentemente.

É na luz do dia e no campo aberto que arrisco a vida em busca do alimento que me mantém vivo, mas é na caverna sombria, cheia de morcegos, que me defendo, resguardando a minha vida.

A aflição deste pique-esconde vivencial dá origem a ansiedade e inquietação, perturbando-me o espírito e a alma, provocando em mim certa irritação de humor, fazendo com que eu alterne meus modos entre gentileza e agressividade. Ora sou cavalheiro, ora algoz. Digo meia dúzia de palavras bonitas para algumas pessoas e em outro momento estou ferindo o sentimento de alguém. A noite sou poeta, de dia sou gladiador. A noite escrevo estes textos, de dia vendo meus cursos.

Quando volto da noite sou alegre e afável, pareço um anjo, faço aproximar. Quando volto do dia grito, esperneio, firo com palavras, desprezo, esbravejo, vitupero, desdenho, rejeito, demito, faço caretas, assusto e faço temer. Tanto no claro quanto no escuro, aterrorizo, ponho para correr ou faço aproximar!

Há aqueles que temem o escuro, por não saber o que pode haver lá e ficam paralisados, não progridem porque não arriscam acender a lanterna das idéias. Porém, há aqueles que temem a luz dos holofotes e da atenção e não conseguem se expressar em público, rejeitam a promoção e não aceitam desafios. De forma que nosso maior problema não está no escuro ou na luz, mas no medo de ambos.

Vale à pena refletir nas palavras de Eleanor Roosevelt, quando diz: "Você ganha forças, coragem e confiança a cada experiência em que você enfrenta o medo. Você tem que fazer exatamente aquilo que acha que não consegue."

Quando pergunto a alguém sobre seus medos e quem é o anjo que a fascina ou o fantasma que a atormenta, ela diz: “você!”. Então, boquiaberto, descubro que o anjo e o monstro na minha cabeça e na cabeça do outro também pode ser eu! Meu Deus!


Prof. Chafic Jbeili
Psicanalista e Psicopedagogo
Diretor e editor Chafic.com.br - www.chafic.com.br
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