Procure meus artigos por palavra-chave

Mostrando postagens com marcador felicidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador felicidade. Mostrar todas as postagens

sábado, 17 de outubro de 2009

O sétimo pilar da autoestima: O amor!



O sétimo pilar da autoestima: O amor!

Prof. Chafic Jbeili – www.chafic.com.br

Talvez eu não seja a melhor pessoa para falar de amor. Este é um tema melhor abordado pelos poetas, pelos artistas, pelas mães, pelas mulheres de modo geral. Eles sim podem falar com mais propriedade e com maior eloquência do que eu. Mesmo assim, a despeito de minhas limitações, ousarei falar sobre o amor em função de sua implicação à estrutura da autoestima.

Há vários sentidos e aplicações para a palavra amor. Em todos os empregos e usos do termo o significado comum é o de querer bem e agir em favor de algo ou alguém. Tudo que se faz com plenitude de vontade e intensidade de alma, se diz que é feito com amor. Portanto, o mal feito é por si só isento de amor porque não é máximo, não é esforçado, não é bem quisto, antes é feito com má vontade, de qualquer jeito, obrigado e, por isto, livre do significante amor.

A referência filosófica do amor alude aos relatos de Platão quando compara este sentimento com a caça; como algo que se busca a todo esforço até que se obtenha aquilo que acredita não possuir. Daí chamar de amor platônico toda forma de amor que extrapola os limites do bom senso e aproxima-se do patológico.

Em Freud tem-se entendido o amor como a pulsão mais primária, o impulso de vida; também conhecido nos escritos psicanalíticos como Eros. Este alterna com Thanatos, o impulso de morte. Enquanto o primeiro constrói e edifica, o segundo destrói e corrompe. O pai da psicanálise sugeriu várias vezes e em todas as suas obras a força dessas pulsões sobre as atitudes conscientes e inconscientes de nosso viver.

Enfim, são muitas as referências sobre amor e não há espaço e tempo neste singelo texto para abordar todas elas. As que aqui se apresentam são suficientes para referenciar o que pretendo vincular com o tema proposto, ou seja, o sétimo pilar da autoestima.

Desta forma, tanto no âmbito religioso-espiritual, filosófico ou psicanalítico o emprego da palavra amor e suas variações semânticas sugerem tratar de uma força sem limites, intangível, venerável e poderosa ao ponto de fortalecer, revigorar e gerar vida. Em outras palavras, o amor é como as turbinas de um avião ou o motor de um carro. Sem eles nem um nem outro poderiam sair do estado estático.

é(Eh) neste sentido que o amor se aplica a autoestima como sétimo pilar, pois sem esta força propulsora nada nem ninguém poderão mover-se e muito menos transformar-se. Nenhum dos outros seis pilares poderiam se efetivar sem o sétimo. Só o impulso de vida – amor – é que pode fazer uma pessoa mudar de idéia, se arrumar, tomar atitudes mais condizentes com o autorespeito, a autoafirmação, a integridade pessoal, a prosperidade e a melhora pessoal em todos os sentidos aplicáveis.

Não se pode ver o amor, mas pode-se percebê-lo atuante quando as pessoas são compelidas a mudar e a fazer mudar qualquer coisa ou pessoa para um estado melhor, mais bem aprimorado.

Autoestima é a tradução literal do amor próprio. Cada qual tem sua autoestima na mesma proporção do amor que sente por si próprio. Assim fica fácil entender porque as pessoas se prejudicam e se matam entre si, pois cada qual ama o próximo como a si mesmo.

Aquilo que se faz ao outro é, em análise, aquilo que se deseja fazer a si mesmo, mas de uma forma velada. E o que se quer fazer veladamente a si mesmo é o límpido reflexo da consideração e amor que cada um nutre e mantém por si mesmo. Ninguém que desonra a si mesmo poderá ter o outro em honra.

Em outra perspectiva desta análise, pode-se entender as pessoas que nos agridem e nos machucam como praticantes de ação proporcional ao ódio e repúdio que elas sentem por elas mesmas. Só quem conhece e experimentou o amor pode amar. Aquele que não sabe e sequer provou desta força chamada amor, jamais poderá desejar ou fazer o bem a si mesmo, quem dirá ao próximo.

Viver sem se sentir amado é uma porta para a angústia e a depressão. Viver sem se sentir amado torna a vida muito mais dolorosa do que normalmente seria. Tudo fica mais difícil. Se relacionar fica mais difícil. Estudar, trabalhar, produzir fica quase impossível e então reina o impulso de morte, tornando as pessoas mais amargas, destrutivas, maldizentes e infelizes. O que esperar dessas pessoas?

Não há perspectiva de vida, de sucesso ou mesmo de futuro quando a pessoa não se sente amada, querida, desejada. Portanto, não basta dizer a uma pessoa que a ama ou usar sua linguagem de amor para acreditar que o outro está sendo amado. é necessário que o outro se sinta amado para que possa experimentar esta força que transforma e revitaliza qualquer pessoa que é agraciado por ela.

Nada pode ser mais sublime e produtivo para uma pessoa do que sentir-se amada pelo pai, pela mãe, por Deus, por qualquer alguém que lhe importa ou pela sociedade de uma forma geral. Os piores delinquentes, capazes das piores ações destrutivas e práticas antisociais são pessoas incapazes de sentir e experimentar o amor.

Esta incapacidade pode ser congênita, relacionada à micro lesões cerebrais que impedem o processamento de tal sentimento ou mesmo pela experiência do abandono, do descaso e do desprezo elaborados de forma peculiar em suas mentes a partir das ações e palavras de seus entes mais próximos, a partir do nascimento até algum momento de sua vida em que ocorre um insight negativo e passa a crer na idéia de que não é amado o suficiente, antes se sente indesejado e rejeitado. Eis a semente do mal, da criminalidade.

Ninguém rouba, mata ou destrói por amor, mas por ódio e revolta.

Como é saudável acreditar que Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu único Filho para que todo aquele que nEle crer tenha a vida eterna. Como é poderosa quando dita com sinceridade a frase “eu te amo”. Experimente dizer mais vezes eu te amo com as pessoas que você quer bem, mas comece dizendo a si mesmo(a) toda vez que se olhar no espelho pela primeira vez no dia. Contudo, nunca repita mais do que três vezes ao dia para não estimular eventual narcisismo!

As ações sociais de contenção da delinquência e repressão ao crime não deveriam se restringir a medidas socioeducativas e penais com base no Código Civil e na Constituição Federal apenas. Nada que se faça com base exclusivamente nas Leis e nas regras sociais poderá transformar o ódio de alguém em amor. Por isto as cadeias estarão sempre lotadas e os índices de criminalidade continuarão aumentando dia após dia. Ninguém pode se sentir amado com a aplicação da Lei.

Também não é o caso de distribuir bíblias aleatoriamente. Pois, ainda que eu falasse as línguas dos anjos se não houver amor, nada adiantará. é preciso se sentir amado e experimentar este sentimento.

E se alguém não se sente amado e, portanto, não experimenta o amor como poderá ter bem consolidado o seu amor próprio? Assim, terá invariavelmente comprometido todos os sete pilares da autoestima.

[nome], a melhor referência teórica de amor que eu conheço está no primeiro livro que o apóstolo Paulo escreveu aos Coríntios, registrado no Capítulo 13, versos 1 a 8 da Bíblia, como se segue:

“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha[...]”.

Um grande e fraterno abraço,

Prof. Chafic
www.chafic.com.br

Prof. Chafic Jbeili
Psicanalista e Psicopedagogo
Diretor e editor Chafic.com.br - www.chafic.com.br
Diretor-executivo ABMP/DF - www.abmpdf.com
Presidente Sopensar - sopensardf.blogspot.com

Chafic.com.br
Suporte e formação continuada para educadores
(61)3377-9175 | (61)8490-3648
e-mail: chafic@chafic.com.br
Site: www.chafic.com.br
Brasília-DF | Brasil

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------
Antes de imprimir qualquer documento, tenha certeza de que seja
realmente necessário, assim você pensa no meio ambiente e
diminui o impacto de suas ações sobre ele.
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O sexto pilar da autoestima: A integridade pessoal.



O sexto pilar da autoestima: A integridade pessoal.

Prof. Chafic Jbeili – www.chafic.com.br

Assisti recentemente, como faço há muitos anos, palestra sobre meio ambiente e educação ambiental. Achei fantástica a proposta didática na impecável apresentação dos slides; os conceitos são realmente fascinantes e os vídeos tão surpreendentes quanto comoventes. Fiquei encantado!

Acontece que meu encantamento foi amenizado pelo próprio palestrante quando ao final do evento o flagrei jogando o papel do chiclete no chão. Ao perceber que eu vi o que ele havia feito sorriu sem graça dizendo: “este papel é solúvel”. Percebi a falta de coerência entre discurso e prática. Imperdoável para aquela pessoa, naquele dia, naquele momento. O jovem professor pediu desculpas, apanhou o pedacinho de papel amassado e o jogou no cesto de lixo. Mesmo assim, continuei a observá-lo discretamente enquanto desmontava seus equipamentos e senti que ele havia ficado envergonhado de si mesmo. Menos mal para o meio ambiente, porém extremamente doloroso para o moço!

Pude perceber que aquele palestrante autoconfiante e cheio de convicção durante a conferência perdera muito de seu brilho depois do efêmero e vergonhoso episódio. Já não olhava mais com tanta firmeza e confiança nos olhos das pessoas que iam cumprimentá-lo pela excelente exposição. Ele havia perdido sua força interior, pois sua autoestima acabara de receber um baque. Ele perdera sua integridade pessoal naquele exato momento.

Um gigante sobre educação ambiental que havia respondido brilhantemente diversas perguntas polêmicas e difíceis sem se abalar, agora se encontrava derrubado por um simples pedacinho de papel. Passou duas horas aproximadamente combatendo ferrenhamente o descuido com o lixo pessoal; encheu a tela com estatísticas estarrecedoras sobre o impacto ambiental causado pelo lixo que produzimos; não poupou críticas às pessoas mal educadas, às famílias que não fazem coleta seletiva de seu lixo, excomungou governantes e até ONGs.

Enfim, aquele jovem havia perdido momentaneamente e no sentido mais estrito da palavra, a sua integridade pessoal. Deixou de ser inteiro quando seu ato contradisse seu belo discurso, cujo teor expressava seus valores, princípios e ideais. O moço desmontou-se, perdeu espaço dentro de si e diminuiu de tamanho. Sua autoestima foi ferida, ficando comprometida no sexto pilar!
De acordo com o Dr. Nathaniel Branden: “[...] quando nos comportamos de forma conflitante com o que julgamos apropriado, perdemos o respeito por nós mesmos”.

Sabe-se que a falta de integridade é tão ou mais nociva do que qualquer censura ou rejeição externa, pois contamina intensamente o senso de self. Pode-se evitar uma pessoa que está sempre nos humilhando e ofendendo, mas dificilmente se pode evitar a si mesmo em veladas sessões de autocensura. Por isto acredito que o pior dos verdugos seja a própria consciência.

Nenhum ser humano tem poder maior de condenação do que a própria pessoa contra si mesma.
Não é a toa que oro a Deus diariamente pedindo livramento dos inimigos, mas principalmente do rigor de meu superego. Não obstante, os momentos que comparo meu discurso com meus atos são importantes incubadoras de culpa, pois desperta-se naquele exato momento da autocensura moral uma espécie de juiz corregedor a que Freud intitulou superego, cujo moto maior é o princípio do ideal, lugar do inconsciente onde estão armazenadas as nossas referências mais sublimes juntamente com as mais elevadas expectativas, depositadas em nós pela sociedade e por nossos entes queridos ao longo de nosso desenvolvimento.

O murundu de ideais perfeitos construídos desde a infância em nosso inconsciente afronta a todo instante nossos impulsos mais pueris, idílicos, exercendo pressão enlouquecedora, cujo ego precisa lançar mão dos mais eficazes mecanismos de defesa para aliviar desconfortante compressão: Esta angústia do ego causada pelo ultraje de nosso próprio ego moral ou superego. Um desses mecanismos de defesa do ego é a projeção, cuja dinâmica consiste em lançar no outro aquilo que condeno em mim. Portanto, quando reconheço que fiz o que condeno o outro fazer, percebo-me isento de integridade e o espírito desfalece instantaneamente.

Uma das características menos toleráveis nas pessoas de modo geral e em especial naquelas pessoas que sempre condenamos é a falsidade, a hipocrisia: palavra-chave de toda crítica aos dissimulados políticos. Quem já não repetiu a frase “fulano é mentiroso” ou ”deputado X é falso, enganador, um hipócrita!”. Parece que ao amaldiçoar o outro por sua falta de integridade, tenta-se expurgar de si mesmo esta tragédia interna que corrompe a alma e contamina o espírito. Daí a repercussão avassaladora que tem a falta de integridade sobre a autoestima.

Quem não tem pecado que atire a primeira pedra! Quem nunca foi hipócrita ou mentiroso? A raiva e o ódio que estava em Caim ou em Hitler também podem estar em mim, assim como a generosidade de Abel e o amor de Cristo também podem estar em mim. Tenho em mim o que há de melhor e o que há de pior na espécie humana. Ao admitir isto me vejo com mais integridade, pois deixo de ser apenas quem eu gostaria de ser (a melhor parte) para admitir ser quem eu realmente sou (todas as partes). Tirar uma doença do CID – Código Internacional de Doenças não a fará desaparecer, assim como refutar uma característica repudiante não a eximirá de existir em mim.

Reprimo e expurgo aquilo que julgo não prestar ou repudio em mim; mas afloro e evidencio o que mais me agrada. Contudo, não me deixo iludir haver pleno controle sobre estas forças interiores. Dado que as circunstâncias, as pessoas e o meu estado geral complementam tais forças de controle a cada instante que vivo. Em função do descontrole destas forças, posso perder ou recuperar minha integridade pessoal a todo o momento.

Na experiência do Dr. Nathaniel Branden, ao aplicar dinâmica onde solicitava aos participantes que completasse a frase: “Eu seria mais íntegro se...” então algumas respostas surgiram tais como: ...eu cumprisse minhas promessas; ...eu admitisse minhas falhas, erros ou inabilidades qualquer ao invés de mascará-las descaradamente. Assim, ser íntegro é não rir de piadas das quais realmente não se acha graça nenhuma; é admitir as qualidades e virtudes de um concorrente; é dizer não quando se tem vontade; é não super faturar o recibo do reembolso; é reconhecer a responsabilidade que tem sobre as pessoas; é não desviar objetos do escritório para uso particular.

Enfim, na opinião de cada participante ser íntegro é o mesmo que fazer a coisa certa, empreendendo congruência entre aquilo que se fala e aquilo que se faz, sabendo que as virtudes que a autoestima nos pede nem sempre são as mesmas que a vida nos exige.

Aproveite para ler os pilares anteriores em www.chaficjbeili.blogspot.com

Abraços,

Prof. Chafic Jbeili
Psicanalista e Psicopedagogo
Diretor e editor Chafic.com.br - www.chafic.com.br
Diretor-executivo ABMP/DF - www.abmpdf.com
Presidente Sopensar - sopensardf.blogspot.com

Chafic.com.br
Suporte e formação continuada para educadores
(61)3377-9175 | (61)8490-3648
e-mail: chafic@chafic.com.br
Site: www.chafic.com.br
Brasília-DF | Brasil

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------
Antes de imprimir qualquer documento, tenha certeza de que seja
realmente necessário, assim você pensa no meio ambiente e
diminui o impacto de suas ações sobre ele.
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------

terça-feira, 1 de setembro de 2009

O segundo pilar da autoestima: A autoaceitação.


Assine nossa Newsletter!

Nome:
E-m@il:

O segundo pilar da autoestima: a autoaceitação.
Prof. Chafic Jbeili – www.chafic.com.br

Havia uma jovem que trabalhava em um gabinete ao lado onde eu fui assessor parlamentar há alguns anos. A moça tinha uns 25 anos, aproximadamente. Esbaldava ótima apresentação vestual e sua expressão era sempre a de alguém em paz com a vida. Certo dia, fui além do bom dia e boa tarde e a elogiei: “Você se veste muito bem!”. Ela não demorou muito e respondeu: “Ah, que nada! Esta roupa já está batida, comprei há anos...” e continuou depreciando seus trajes da cabeça aos pés, até que sem graça e decepcionado, sai de perto e fui embora engasgado sem entender bem o que havia acontecido.

Dias depois, em outra oportunidade de corredor, soltei-lhe um chiste: “Como uma moça tão bonita e bem arrumada desperdiça um elogio tão despretensioso e sincero assim?”, mas ela respondeu se defendendo e dizendo que não jogou o elogio fora, apenas havia sido franca em dizer sobre as roupas dela e que afinal não se achava tão bonita assim.

Bem, quando elogio ela recusa e começa a se depreciar, quando aponto um defeito e digo que ela não aceita um elogio, então nega. Como se vê, ela padece de autoaceitação, este segundo pilar da autoestima. Acontece que para ela usufruir autoaceitação precisa antes tomar a atitude de viver conscientemente. Veja como o segundo pilar depende do primeiro!

A idéia do Dr. Nathaniel Branden nominar de “pilares” as dimensões da autoestima é bastante oportuna e pertinente, pois assim como um edifício não pode se sustentar sem qualquer um de seus pilares, da mesma forma a autoestima não pode existir em uma condição saudável sem qualquer um de seus pilares, em especial este segundo, considerado mais central do que os demais, embora todos sejam ou estejam intensamente interligados e dinâmicos entre si.

A atitude da autoaceitação é o segundo pilar da autoestima e o Dr. Branden afirma que “[...] a não aceitação de si mesmo é a recusa em manter relacionamento antagônico consigo mesmo”. Desta forma, a título de exemplo, a criança que cresce ouvindo adjetivos depreciativos sobre si, desconfiará de qualquer elogio no futuro, pois o que o outro diz a seu respeito contradiz a autoimagem registrada em seu cérebro e, por isto, não aceita. O contrário também é verdadeiro: A criança muito mimada e paparicada terá maior dificuldade aceitar seus defeitos quando adulta.

A atitude de autoaceitar é estar do próprio lado e agir a favor ou em favor de si mesmo, resguardadas as devidas proporções. Especialistas em saúde mental concordam que tanto o cliente em tratamento psicoterápico quanto o aluno em sala de aula poderão apresentar maior dificuldades em assimilar adequadamente um novo aprendizado se, eventualmente, a recusa em aceitar a si próprio for intensa e profunda.

Esta afirmativa faz sentido, na medida em que a pessoa que não se aceita, rejeita inconscientemente qualquer melhora ou crescimento mais significativo, podendo inclusive boicotar-se simplesmente por não saber colocar-se do próprio lado e agir em favor de si mesmo. Neste caso, não se deve confundir com o egoísmo, pois enquanto no agir em favor de si mesmo é aceitar a porção que lhe é devida, no egoísmo a pessoa não quererá compartilhá-la, o que é bem diferente.

Observe que muitos clientes de psicoterapia abandonam o tratamento justamente quando estão começando a sentir algum progresso mais substancial. Esta dinâmica pode ser, entre outras coisas, indícios de autosabotagem em função do despreparo em relação à atitude da autoaceitação.

Invariavelmente, o não desenvolvimento ou a degradação do segundo pilar da autoestima faz com que a pessoa nutra desde intolerância até ódio por si mesmo, podendo chegar a níveis mais preocupantes e desencadear atitudes de autoagressões, autopunições, automutilações e até mesmo a renúncia direta ou indireta pelo desejo de viver.

O caminho da restauração deste importante pilar da autoestima é empreender ações que visam despertar na pessoa pensamentos, palavras e atitudes de autoafirmação. É preciso que a própria pessoa consiga repetir em voz alta que respeita a si mesma; que tem valor e que tem o direito de ser quem ela é. Mais uma vez, estas ações não devem servir para fazer com que a pessoa fique estagnada em uma determinada condição, mas que possa reconhecer e aceitar tal condição como ponto imediato de partida para uma situação ou condição mais elaborada.

Não é o fato de uma pessoa mal educada, social e moralmente inconveniente declarar-se deste jeito e fazer com que o outro a aceite assim. Mas é o caso dela mesma avaliar a impertinência desta sua condição e decidir-se evoluir em termos de maior produtividade e melhor qualidade de vida social. Para cada lugar existente e de acesso disponível há um comportamento mínimo esperado. Para cada relacionamento, independentemente dos níveis de interação, há uma reciprocidade mínima esperada. Tanto nos lugares quanto na presença de outras pessoas, qualquer um pode continuar sendo quem ele é, mas de um jeito mais condizente e harmonioso. Infelizmente, muitas pessoas têm tido maior facilidade em trocar de personalidade do que mudar de atitudes.

É pela autoaceitação que estas nuanças poderão ser melhor percebidas e mais adequadamente trabalhadas. O simples fato de alguém ter a coragem de pedir e buscar ajuda é um ótimo sinal de autoaceitação. Lembra do ditado popular? “O pior doente é aquele que não reconhece a doença”. Quem não reconhece a doença, dificilmente pedirá ajuda. Porém, a glória da restauração e desenvolvimento do segundo pilar da autoestima se efetiva quando uma pessoa que passou boa parte de sua vida se sujeitando a humilhações e abusos de toda natureza resolve dar um basta nesta condição e diz para si mesma: “Agora chega!”. Esta declaração é um marco histórico na evolução de sua situação. É preciso operar em favor de si mesmo quando ninguém mais pode fazê-lo, agindo positivamente e decidindo mudar uma situação indesejada, nem tanto por causa da submissão em si, pois esta tem seus limites aceitáveis, mas certamente por causa da mínima e qualquer condição de subjugação. Esta deve ser inaceitável!

Em seu livro “Sentido e contra-senso da revolta”, Julia Kristeva destaca os aspectos positivos e extremamente necessários da revolta. Tida como algo pejorativo e antisocial, a revolta, quando utilizada e aplicada em determinadas situações é altamente indicada. Afinal, apesar de óbvio ninguém deveria aceitar para si o que é inaceitável para qualquer um. A atitude de autoaceitação é para pensamentos, características pessoais e demais coisas que são de modo geral aceitáveis, de modo geral. De outra forma, é preciso lançar mão da revolta inteligente e determinar a mudança, decidindo-se posicionar do próprio lado e em favor de si mesmo. Este é o contra senso da revolta! Dizer “chega!” à humilhação, ao abuso e à subjugação.

Quando eu digo sobre aceitar as coisas aceitáveis, estou me referindo, por exemplo, a recusa de alguém em olhar-se no espelho só porque não aceita suas medidas, a cor de sua pele, o formato do cabelo, o tamanho do pé ou coisas deste tipo, mas indubitavelmente é preciso aceitar cada imperfeição como sendo particularmente sua. Isto não quer dizer, repito, que aceitar-se seja conformar-se. A partir da aceitação é que a mudança poderá ser empreendida.

Para que haja mudança e crescimento é preciso que haja autoaceitação. Aceitar-se a si próprio não é estagnar-se na condição ou situação atual, mas reconhecer que tal condição ou situação é um ótimo ponto de partida para a condição ou situação que se deseja alcançar.

Quando a pessoa resiste reconhecer em si os próprios defeitos ou a enfrentar a fonte de seus dissabores vivenciais, então a angústia se fortalece e a ansiedade tende aumentar. Entretanto, quando esta pessoa identifica e reconhece, aceitando, suas imperfeições e decide enfrentar aquilo que ela teme, permitindo e incentivando aflorar à consciência o que estava latente, então, a idéia adoecedora, que antes era forte se enfraquece e se dissolve naturalmente.

A atitude da autoaceitação começa quando a pessoa reconhece em si a antagônica condição humana, posto que é imperfeita apesar de fascinante; ignorante apesar de estudada; aprendente apesar de docente; confiante apesar de traída; cansada apesar de determinada; ingênua apesar de inteligente; errante apesar de assertiva, enfim, todos somos tudo e também somos nada. É a atitude da pessoa que dirá quem ela é, apesar do tempo, do lugar, das pessoas e das circunstâncias.

Só não quer se conhecer quem não se aceita. Quem não se aceita e, por isto, recusa saber quem é, então, variavelmente acabará sendo quem os outros dizem que é e, assim, acabará se conhecendo pelo outro e não por si mesma, o que seria muito mais prazeroso, verídico e adequado. Se uma pessoa demonstra ainda não conseguir conviver com seus próprios defeitos e imperfeições, estimule-a a aceitar pelo menos as próprias qualidades, para que não fique total e aleatoriamente à mercê da opinião dos outros e, por consequência, estabeleça imagem mental de si mesma, bem diferente da própria realidade, estruturada essencialmente em determinações alheias.

Quando alguém lhe fizer um elogio, agradeça! Diga apenas obrigado.

Quando alguém lhe ofender destacando um defeito seu, agradeça! Diga que irá refletir sobre isto e efetivar melhorias naquilo que for passível de aprimoramento.

Encerro esta crônica com uma reflexão assinada por Mark Twain “[...] Daqui a alguns anos você estará mais arrependido pelas coisas que não fez do que pelas que fez. Então solte suas amarras. Afaste-se do porto seguro. Agarre o vento em suas velas. Explore. Sonhe. Descubra”.

Na próxima segunda escreverei sobre o terceiro pilar da autoestima: a auto-responsabilidade.

Um abraço,

Prof. Chafic Jbeili
Psicanalista e Psicopedagogo
Diretor e editor Chafic.com.br - www.chafic.com.br
Diretor-executivo ABMP/DF - www.abmpdf.com
Presidente Sopensar - sopensardf.blogspot.com

Chafic.com.br
Suporte e formação continuada para educadores
(61)3377-9175 | (61)8490-3648
e-mail: chafic@chafic.com.br
Site: www.chafic.com.br
Brasília-DF | Brasil

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------
Antes de imprimir qualquer documento, tenha certeza de que seja
realmente necessário, assim você pensa no meio ambiente e
diminui o impacto de suas ações sobre ele.
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------

terça-feira, 29 de abril de 2008

Na plenitude da felicidade, cada dia é uma vida inteira!

Chafic Jbeili | www.chafic.com.br

A velhice é, e deveria ser considerada por todos, um tempo maravilhoso da vida. É parecido com o clássico entardecer do dia, quando as pessoas mais sensíveis param e se permitem curtir o espetáculo do pôr-do-sol, percebendo, mesmo sem entender, que há algo muito maior e mais importante do que a busca frenética e mesquinha pelo dinheiro, pela fama e pelo poder, a qual está empenhado o mundo.

A velhice é o tempo da contemplação, da pausa, do descanso e da reflexão. É ao entardecer que voltamos para casa e para nossa família, ansiosos para contar como foi o dia. É o momento mais oportuno para recobrarmos nossas forças, renovarmos as esperanças (nossas e dos outros) e planejar o dia seguinte. Contudo, está contido na velhice assim como nas atividades do entardecer, dois elementos fundamentais e imprescindíveis para o desfrute pleno de uma vida tida como digna: Considerar-se produtivo e sentir-se amado. Daí a vital importância e incisiva influência do trabalho e dos relacionamentos em nossas vidas, cuja harmonia biopsicosocial e espiritual dependem.

Percebo que de todas as queixas dos idosos, as menos significativas para eles são: A dor, a escassez financeira, as limitações físicas e as doenças. No entanto, o semblante desses guerreiros imbatíveis se desfalecem instantâneamente quando expressam sentimentos de menos-valia, dizendo que já"não servem para mais nada" ou quando relatam abandono, quer seja pelos entes queridos ou por aquelas pessoas de quem se esperava alguma gratidão ou consideração nessa fase da vida.

Em sua maioria, a essência subjetiva de qualquer queixa está vinculada a essas duas últimas, improdutividade e falta de amor, simbolizadas pelas nuanças pertinentes à idade e pelo abandono vivenciado pelo idoso, respectivamente. Uma perfeita compreensão dessa dinâmica, consequentemente, proporcionará ao idoso uma nova indicação de como proceder em cada caso. E, ao perceber que se vive assim para certificar-se ou justificar-se de possíveis fracassos sua energia psíquica logo se direcionará para atividades mais prazerosas e produtivas, melhorando consideravelmente seu bem-estar psicosocial e, inclusive, amenizando as dores e doenças psicossomáticas.

O mais importante, ante essas situações, é perceber os valores pessoais, as experiências que se adquiriu ao longo da vida e elaborar um "plano de ação" para esse tempo da vida. De qualquer forma, é necessário que haja incentivos e ações suficientemente poderosos para superar a auto-crítica depreciativa e sobrepujar as forças retardadoras para o desfrute de uma velhice feliz. A par dessas possibilidades, conseguir aceitar a si mesmo em suas condições já constitui, por si só, um feito extraordinário. O alívio gerado pela libertação dessas amarras, melhorará a qualidade dos relacionamentos com os outros e consigo mesmo, tornando o idoso mais forte emocionalmente. E quanto mais emocionalmente forte estiver um idoso, menos se sentirá ameaçado pelas outras pessoas ou pelas circunstâncias. Daí para o "produzir" é um pulo, afastando o tédio, a tendência ao vício e a tristeza. Quanto ao amor, mais vale um amigo por perto do que um parente longe. Aprenda a valorizar as pessoas que se importam com você e estão dedicando suas vidas ao seu conforto e bem-estar ao invés de gastar esse tempo tão precioso com aquelas pessoas que não estão nem aí para você.

Em qualquer fase da vida a capacidade de se adaptar ao novo é essencial para gozar o prazer em viver, quer seja (re)aprendendo com o mais novo ou com o mais velho, quer seja ensinando ao mais novo ou ao mais velho. Assim, muitos são os motivos pelos quais é possível que a velhice seja um período prazeroso, produtivo e emocionante da vida. Seja qual for sua idade, se se julga velho ou novo, traga à memória somente aquilo que lhe pode dar esperança. Curta intensamente cada momento do dia, pois afinal, como bem disse, aos 86 anos, o poeta e escritor alemão chamado Goethe: "Na plenitude da felicidade, cada dia é uma vida inteira".

Cartilha sobre burnout em professores. Distribua!

Qual assunto te interessa mais?