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segunda-feira, 26 de abril de 2010

O Sétimo pilar da Qualidade de Vida no Trabalho: Trabalho X Vida familiar e social.

O Sétimo pilar da Qualidade de Vida no Trabalho: Trabalho X Vida familiar e social.
Chafic Jbeili – www.chafic.com.br
 
O trabalho sustenta a vida social do empregado até certo ponto, mas depois é a qualidade de sua vida social que sustentará o trabalhador no emprego.

Quantas pessoas saem exauridas depois de um dia de trabalho, sem forças para um happy hour, um aniversário em família ou mesmo um cinema? O mais comum é chegar em casa estressado, morto de fome e louco para tirar os sapatos. Não é bom para as organizações quando seus colaboradores chegam em casa e diz: “Esse trabalho está me matando...” 

O problema não é apenas o trabalho em si, mas tudo que envolve a atividade laboral e o quanto ela exige de energia do trabalhador durante todo o dia ou toda a semana, a ponto de não deixar forças para os compromissos pessoais, o lazer e o convívio familiar de qualidade.

A alternância de papéis, a instabilidade de horários, as viagens frequentes entre unidades da empresa, tudo isso prejudica a agenda pessoal do trabalhador e o desmotiva.

A pessoa que exerce o papel de “curinga” (cobre todas as funções) sempre tem de ficar no lugar de alguém faltoso ou que precisa sair mais cedo, daí aquele compromisso em família fica sempre em segundo plano, causando indisposição e contrariedade, além de cansaçoi extra devido a sobrecarga de atividades e funções.

A instabilidade de horário também é outra variável extremamente nociva à vida social do trabalhador, pois este não pode agendar um cinema, teatro ou outra atividade de lazer, pois sempre corre o risco de perder o ingresso ou desapontar a companhia convidada, afetando sua percepção de integridade pessoal, ou seja, acaba passando uma imagem de sujeito “enrolado”, sem que seja sua culpa.

Ter de estar em duas ou mais unidades da empresa em cidades, estados ou países diferentes por dias ou semanas também é algo que desestabiliza o trabalhador, pois o tira de seu convívio familiar, afetando emocionalmente cônjuges e filhos, podendo originar pressões por parte da família, colocando-os indispostos com toda a situação e causando insatisfações de toda ordem contra o emprego. 

A gestão com foco em QVT sabe o quanto é primordial que o trabalhador tenha uma vida social facilitada e incentivada. Quando a pessoa percebe que a empresa valoriza sua vida familiar e social, bem como favorece a consecução de seus compromissos pessoais, então ela dá mais valor ao trabalho e se empenha mais nas tarefas, na pontualidade, porque pode contar com o carisma e apoio da família, além de uma disposição interna muito mais favorável.

Pessoas com vida social e familiar mais intensa e freqüente são menos estressadas, mais alegres, bem humoradas e também mais criativas, porque se sentem mais felizes e realizadas. Esses benefícios refletem na qualidade de produção e execução de tarefas no ambiente de trabalho gerando ganhos quantitativos e qualitativos para as organizações, além de evitar prejuízos por conta de absenteísmos e da despersonalização do trabalhador.

Prof. Chafic Jbeili
Consultor vivencial, Psicanalista, Psicopedagogo e Escritor. 

CONSULTORIA - CURSOS - OFICINAS - PALESTRAS
Formação continuada e qualificação profissional
(38)3082-0876 | (38)9184-0439
e-mail: chafic.jbeili@gmail.com 
Montes Claros(MG) | Brasil

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Pilar 4 da QVT: Oportunidade de crescimento!


O quarto pilar da QVT: Oportunidade de crescimento!
Chafic Jbeili – www.chafic.com.br

Entre uma pessoa que acredita estar no caminho de sua realização pessoal e profissional; e outra pessoa que está infeliz e frustrada com seu trabalho, qual das duas você acredita irá ser mais colaborativa em uma equipe? Qual das duas oferece, em sua opinião, maior potencial de produtividade? Qual das duas você convidaria trabalhar ao seu lado?

A pessoa certa dependerá do que você tem a oferecer a cada uma delas! Não é o estado atual o mais importante, mas o que importa realmente é saber qual das duas está disposta a sair de sua zona de conforto, estimulada por sua proposta, pois, segundo John Kennedy, o conformismo é carcereiro da liberdade e inimigo do crescimento. Logo, a pior pessoa para trabalhar ao seu lado é aquela que de alguma forma não quer ou não aproveita as oportunidades para aprimorar suas habilidades e crescer na vida.

Há uma quantidade considerável de pessoas querendo ser promovida em seu ambiente de trabalho. Muitas almejam experimentar funções diferentes, ganhar mais, ocupar postos de chefia, ter novos desafios e até chegar ao cargo de diretor ou presidente, dependendo do setor ou da organização em que está lotado. Entretanto, nem toda pessoa aproveita suas chances e nem toda empresa está atenta a estas necessidades de seus colaboradores. Ambos acabam desperdiçando excelente oportunidade de motivar e manter elevada a própria moral e a moral de sua equipe.

Cada pessoa deve gerir e buscar o próprio crescimento, dando preferência à formação diversificada, continuada e constante na área de seu interesse profissional ao invés de esperar que alguém faça isto por ela.


Por oportunidade de crescimento entende-se toda e qualquer ação estratégica tanto da pessoa quanto da organização que possibilite crescimento pessoal e profissional, por meio de cursos de atualização e qualificação profissional, além de atividades culturais e desenvolvimento de sua espiritualidade.

Quanto mais culto, técnico e espiritualizado for um profissional, melhor será o seu desempenho para a empresa ou instituição em que trabalha.


As organizações focadas na produtividade e no alto desempenho oferecem aos seus colaboradores condições de crescimento profissional e a possibilidade de ascensão a cargos e funções, tanto no aspecto horizontal (cargos e funções de mesmo nível de enquadramento) quanto no aspecto vertical (cargos e funções de nível hierárquico diversificado).

Walton, em sua teoria sobre a QVT defende a idéia de que todo trabalhador precisa ter a possibilidade de seguir e prosperar em sua carreira, nutrindo a esperança de galgar postos cada vez mais altos e, obviamente, ter acesso a salários mais elevados como forma de agregar sentido às tarefas realizadas e assim oportunizar aos trabalhadores perspectiva mais condizente com suas expectativas de consumo e de realização pessoal.

Sobre crescimento pessoal, enfatizo a importância de as organizações elaborarem e manter programas de cursos in company ou mesmo liberar tempo ou oferecer ajuda de custo para que a pessoa tenha condições completar seus estudos, fazer uma segunda ou terceira graduação, especializar-se em cursos de pós-graduação, mestrado, doutorado etc. A perspectiva de crescimento pessoal e profissional gera gratidão, senso de zelo e fortalece os vínculos de compromisso do funcionário com a empresa, além de trabalhar sua autoestima e prepará-lo para assumir os mais altos cargos e funções que lhe forem possíveis.

A ausência de planejamento na área de Recursos Humanos que contemple medidas para o crescimento pessoal e profissional do trabalhador é um problema grave na maioria das empresas e instituições tanto do setor privado quanto do setor público. Tal lacuna administrativa compromete não apenas uma eventual futura recolocação do profissional no mercado de trabalho, mas mina a competitividade da própria empresa no mercado globalizado, degradando a qualidade dos produtos e serviços oferecidos.

Quando perguntamos por que certas empresas crescem tanto, mesmo em meio à crise mundial, ou porque alguns órgãos públicos são bem mais eficientes do que outros, basta verificar o sistema de gestão de pessoas com foco na qualidade de vida do trabalhador destas instituições e comparar com o sistema de gestão daqueles que não valorizam a sua força de trabalho, em especial não estimulando o desenvolvimento de seus funcionários.

Toda empresa é do tamanho de sua força de trabalho. Equipes estagnadas, desatualizadas e desmotivadas dão a personalidade exata do departamento ou da empresa em que trabalham. Cada organização trilha o mesmo caminho em que direciona seus colaboradores.


Nos textos anteriores, onde exponho minha opinião sobre os três primeiros pilares da Qualidade de Vida no Trabalho, aprendemos como é importante a remuneração justa e adequada, as condições de trabalho e a gestão por competências. Agora, no quarto pilar, aprendemos como é fundamental para o bem estar do trabalhador e a prosperidade das instituições oferecerem oportunidade de crescimento aos seus colaboradores.

Oportunizar crescimento é a essência do quarto pilar da qualidade de vida no trabalho, pois como bem disse o jurista norte americano, Oliver Holmes, “[...] o mais importante da vida não é a situação em que estamos, mas a direção para a qual nos movemos.”

Seja qual for a direção que você mover sua equipe, é para lá que você estará indo também!


Prof. Chafic Jbeili
Psicanalista e Psicopedagogo
Diretor e editor Chafic.com.br - www.chafic.com.br
Diretor-executivo ABMP/DF - www.abmpdf.com
Presidente Sopensar - sopensardf.blogspot.com

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terça-feira, 17 de novembro de 2009

Pilar 3 da QVT: A Gestão das Competências!

O terceiro pilar da QVT: A gestão das competências!
Chafic Jbeili – www.chafic.com.br

Você já realizou ou realiza alguma tarefa que contraria profundamente suas vontades? Você já realizou ou realiza funções que afloram em você sentimentos de que está sendo subaproveitado ou que te faz sentir menor ou menos capaz do que você realmente é? Você já se sentiu violentado pelo trabalho que realiza? Enfim, quanto exatamente o trabalho que você realiza está aquém do seu currículo, de sua experiência e, principalmente, de suas vocações? Quão distante está o seu trabalho daquilo que realmente você queria ser quando era criança?

As crianças elegem seus modelos e suas referências. Estas referências são introjetadas ao longo do desenvolvimento e vão para um lugar chamado inconsciente, ficando fora do campo perceptivo, contudo tais referências permanecem latentes, determinando impulsos, influenciando escolhas.  Se essas referências encontrarem respaldo no DNA, potencializando as habilidades específicas, então se tornam a(s) vocação(ões). Uma vocação é o conjunto de habilidades específicas e de disposições internas que determinam as tendências profissionais de uma pessoa.

A gestão por competência tem como essência conhecer a vocação do trabalhador e localizar na organização a função que mais se enquadra às aptidões desse trabalhador, oferecendo-lhe oportunidade realizar tarefas mais condizentes com suas competências e interesses. Este tipo de gerenciamento de recursos humanos é um dos principais fatores de produtividade e tem sido implantado com sucesso em muitas empresas e órgãos públicos.

A responsabilidade na gestão da competência deveria ser primeiro do trabalhador (autogestão), mas este às vezes aceita participar de seleções de emprego e concursos públicos tendo em vista apenas a questão salarial e a estabilidade, arriscando assumir atribuições que contrariam suas vocações. Com o tempo, muita disciplina, profissionalismo e um pouco de sorte, poderá até aprender a gostar do que faz e fazer bem, mas nem sempre é o que acontece, não é verdade?

Lembro de uma jovem administradora de empresas que passou em um disputadíssimo concurso público para trabalhar no Supremo Tribunal Federal e, depois de sua posse, foi designada (por sorteio aleatório) para um departamento que cuida de processos obituários. Ela precisava ler laudos do IML e ver as fotos técnicas de cada processo, com detalhes da anatomia dos acidentados, cujo objetivo era atestar a procedência daqueles pedidos de indenização. Resultado: um ano e meio depois da posse ela estava com sua primeira licença médica, devido uma forte depressão que desenvolvera na realização de seu trabalho.

Na gestão por competências, certamente a designação do posto para análise de processos obituários seria dada preferencialmente a profissionais vocacionados à medicina, biologia ou enfermagem, mesmo que eventualmente tivessem graduações diferentes destas áreas, mas dificilmente seria dada a uma pessoa avessa a sangue, fraturas expostas e fotos cadavéricas. Entende a incongruência no método de designação de função por outro método que não o de gestão por competências?

Em toda organização existem os diversos departamentos: administrativo, jurídico, marketing, RH etc. Cabe aos gestores identificarem as vocações de seus colaboradores e fazer a recolocação adequada para que haja qualidade de vida no trabalho e, consequentemente, gozo e produtividade. Creio que boa parte das doenças laborais tenha vínculo com a má gestão dos recursos humanos.

Outro aspecto negligenciado na gestão por competência é quando o profissional está no departamento e funções adequados, mas o chefe imediato, por alguma razão de improbidade, insiste desviar de função determinado membro da equipe, atribuindo-lhe tarefas aquém das suas capacidades. Nada mais desconcertante, constrangedor e improdutivo tirar um técnico de trabalho específico que somente ele tem condições realizar para designá-lo realizar outras tarefas cujo cumprimento não exige maiores conhecimentos e que, na prática, qualquer outra pessoa poderia realizar.  É de fato incompetência do gestor, senão crime de improbidade administrativa.

Uma coisa é o funcionário ser humilde não julgando a si próprio como especial demais para realizar tarefas consideradas simples ou inferiores, a exemplo de profissionais que acham absurdo limpar a própria mesa, carregar apostilas para reunião ou mesmo devolver à copa a garrafa de café. Outra coisa é o profissional aceitar um emprego porque precisa daquele salário, sujeitando-se a tarefas e chefes que não levam em consideração sua capacitação e experiências, simplesmente ignorando suas competências.
 
No início do ano eu escrevi texto intitulado “Freelancers da Educação”, fazendo analogia sobre pessoas que fazem “bico” como educadores. O problema é exatamente este: fazer bico em trabalhos que a pessoa jamais se imagina realizando e no final acaba violentando a si mesma. O resultado é sempre desastroso para todos os envolvidos.  

Desde a revolução industrial se tem notícia da disputa por uma vaga de emprego no mercado de trabalho. Não são poucas as pessoas que se submetem a serviços, cujas atribuições chocam com as vocações. Realizar algo somente em função da remuneração é uma espécie de autocorrupção e autoprostituição. A prostituição profissional corroe a alma do sujeito, minando sua alegria de viver, fazendo-o se sentir a mais inadequada das pessoas.

Quem de nós não conhece alguém que está em um trabalho considerado perfeito, mas no fundo no fundo percebe que aquela pessoa está infeliz com o que faz? E você como se sente com o seu trabalho?

A gestão por competência está voltada para a autonomia, incentivo ao autocontrole, desenvolvimento das qualidades múltiplas e treinamento a respeito do processo de trabalho.  Esses fatores fazem o trabalhador sentir-se mais seguro e competente na consecução de suas atribuições e, consequentemente, mais realizado com a profissão que escolheu abraçar e seguir carreira.

Cabe a todos, profissional e gestores, ficarem atentos ao terceiro pilar da Qualidade de Vida no Trabalho, pois se os profissionais devem buscar conhecer as próprias vocações e escolher empregos mais condizentes para si. Os gestores, por sua vez, devem conhecer e considerar a vocação de cada membro de sua equipe para designar funções e tarefas mais condizentes com os objetivos da organização, aproveitando melhor o capital humano e gerar mais qualidade à força de trabalho que está sob sua responsabilidade.

Saúde e bem estar do trabalhador no ambiente laboral é questão de produtividade, sucesso e realização profissional. Nem sempre estas coisas estão relacionadas objetivamente ao dinheiro. O que cada pessoa sente com o trabalho que realiza determinará sua percepção de remuneração justa e adequada, provando que nem todos fazem o fazem somente pelo que ganham.

Encerro esta reflexão sobre qualidade de vida no trabalho com uma frase de Henry Ford: "Se o dinheiro for a sua esperança de independência, você jamais a terá. A única segurança verdadeira consiste numa reserva de sabedoria, de experiência e de competência". Quais são as suas? Quais são as de seus subordinados?

Prof. Chafic Jbeili
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Prof. Chafic Jbeili
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domingo, 8 de novembro de 2009

Pilar 2 da QVT: As Condições de Trabalho.



O segundo pilar da QVT: As Condições de Trabalho.
Chafic Jbeili – www.chafic.com.br

Destaquei no primeiro texto desta série de oito crônicas sobre a QVT, que o trabalho é a fonte mais fidedigna para uma pessoa obter os proventos necessários ao custeio e manutenção de sua sobrevivência e, por isto, ela precisa ser remunerada de forma justa e adequada. Agora, no texto corrente, comentarei o segundo pilar da QVT, cujo substrato teórico continua sendo a teoria de Walton (1973). Desta vez o destaque vai para as condições de trabalho.

Sabe-se que o ambiente laboral é o lugar onde uma pessoa permanece a maior parte de seu dia, na maioria das vezes até mais do que na própria casa. Daí a relevância desta reflexão, ainda que de forma breve, sobre o impacto das condições de trabalho sobre a qualidade de vida do trabalhador.

Levando-se em consideração a totalidade de tempo dedicado a um mesmo local, o ambiente de trabalho pode ser facilmente considerado como segundo lar e, por conseguinte, os colegas que ali compartilham desse mesmo espaço, tornam-se como uma segunda família, com todas as prerrogativas positivas e negativas que todo grupo familiar geralmente apresenta. Por este motivo, não se pode negligenciar as condições em que uma pessoa passa todo esse tempo em um mesmo local, compartilhando idéias e materiais com tantas pessoas diferentes. Necessário se faz proporcionar e manter condições favoráveis para que um trabalhador execute suas funções.

Com base nesta perspectiva de influência das condições de trabalho sobre a qualidade de vida do trabalhador, quero ressaltar pelo menos dois aspectos que considero mais relevantes: o primeiro aspecto é o da ambientação, alude à parte material e diz respeito às instalações físicas, incluindo desde a disposição do mobiliário até a salubridade e segurança geral do local. O segundo aspecto é o da ambiência, restrito à parte funcional da dinâmica trabalhista e diz respeito à qualidade e intensidade das relações vivenciadas durante a jornada de trabalho.

Sobre ambientação, sabe-se que a maioria das doenças laborais que afligem o corpo é, sobretudo, decorrente da infeliz combinação entre mobiliários ergonomicamente inadequados, mal posicionados e o uso indisciplinado desses componentes, ou seja, é a conjugação entre a cadeira inapropriada, desconfortável e o sentar-se de qualquer jeito. Outro exemplo é o uso intenso e contínuo de um aparelho de ar condicionado antigo, sem a devida manutenção em seus filtros de ar; ou ainda a pessoa que passa, por exigência da função, períodos prolongados de tempo fazendo a mesma coisa em uma mesma posição, como é o caso de professores que passam horas e horas lecionando em pé, facilitando diversas complicações de circulação, desvios na coluna ou até mesmo lesões musculares.

Todo e qualquer obstáculo na realização de uma tarefa rouba energia do trabalhador e violenta suas estruturas físicas e emocionais, inibindo a produtividade. O esforço intenso e contínuo na realização de uma tarefa, cuja magnitude da ação seja maior do que a resistência oferecida pela adequação do ambiente de trabalho será sempre onerosa e contra produtiva para a empresa. Em suma: a diferença de preço entre a cadeira mais barata e a mais adequada não é nada se comparado aos prejuízos causados pela improdutividade e as licenças médicas recorrentes do uso de um determinado equipamento, impróprio para uma pessoa realizar cabalmente sua tarefa.

Pode parecer sem importância, mas a posição em que os móveis estão distribuídos em um ambiente também pode interferir na dinâmica laboral, a exemplo daquela estante ou arquivo posicionado na frente da única janela da sala, impedindo a entrada de luz natural e a necessária circulação de ar, causando desconforto e insalubridade, ambos inibidores da produção. Imagine como incomoda trabalhar em um computador que fica de frente para uma janela. A pupila fecha por conta da claridade, mas é forçada a abrir para enxergar a tela do computador, causando fadiga e o trabalhador terá dificuldade realizar a digitação, aumentando a possibilidade de erros. Neste time, os ruídos internos e externos, assim como a qualidade da iluminação artificial também contam como quesitos contra producentes no ambiente de trabalho e devem ser evitados.

Os toaletes são itens à parte neste contexto das condições de trabalho. Detenho-me a mencionar aqueles de uso restrito e limitado, a exemplo dos banheiros da sala dos professores ou aqueles reservados a um determinado departamento da empresa. Como é terrível voltar do horário do almoço, precisar usar o banheiro e não ter condições de higiene para isto. O turno da tarde não renderá tanto, haja vista o desconforto de uma necessidade pessoal sobre a exigência de desempenho profissional. É claro que muitas pessoas sábias e eruditas, porém muito mal educadas não colaboram na manutenção dos banheiros, mas geralmente o pessoal da limpeza é mal orientado, operando somente pela manhã e no final da tarde. Precisa ser mais vezes, em horários que antecede o horário de pico dos toaletes! Mas algum gestor já fez esta pesquisa para identificar necessidades de ajustes nos horários de limpeza do banheiro? Acredito que não!

Sempre que posso faço uma visita ao banheiro dos professores e em alguns destes banheiros, especificamente, pude constatar papel higiênico de terceira categoria, daqueles de cor cinza, que eu não utilizaria nem para apoio em resfriados. Vi também frascos de detergente Odd no lugar de sabonete líquido, folhas de A4 para enxugar as mãos e espelho daqueles minúsculos com moldura alaranjada e vidro trincado no canto. Que tipo de escola oferece um banheiro deste para seu Corpo Docente? Que visão de motivação e produtividade mantém tais gestores? Uma lástima!

Outro fator considerável no contexto material das condições de trabalho é a segurança. A energia psicossomática desprendida por um trabalhador que se sente desprotegido e inseguro em seu local de trabalho é enorme. Tal força seria melhor aproveitada se fosse canalizada para a produtividade. Esta insegurança laboral que rouba a vitalidade do trabalhador advém quase sempre de possíveis ameaças naturais como incêndio, inundações, contaminações por epidemias ou do risco eminente de agressão pelo público interno ou externo da instituição.

Assim como o simples uso do sinto de segurança nos automóveis aumenta a sensação de segurança em motoristas e passageiros, do mesmo modo, medidas como a colocação sinalizada do extintor de incêndio em paredes estratégicas; grades; câmeras de segurança; apoio para mediação de conflitos ou mesmo a presença de um vigilante na portaria aumentam a sensação de segurança do trabalhador. Faça pesquisa entre seus colaboradores e verifique o que mais causa insegurança no local de trabalho, depois tome providências! A energia extra que o funcionário gasta na expectativa de que algo ruim irá acontecer, desviando sua atenção, poderá ser deslocada para a atividade principal, diminuindo o estresse e colaborando para a QVT e a produtividade.

Trabalhar em um local onde haja política de segurança evidente, com instruções claras, treinamentos e simulações para situações de emergência, bem como equipamentos sinalizados e devidamente posicionados demonstra nitidamente a preocupação da empresa em zelar pelos membros de sua equipe. A sensação de proteção que se oportuniza aos colaborares retorna em produtividade e resultados para a empresa.

As empresas com foco em produtividade e resultados sabem que não oferecer uma cadeira apropriada; um banheiro limpo para se utilizar ou segurança durante a jornada de trabalho pode interferir significativamente na qualidade de vida de seus colaboradores, suscitando neles sentimentos e comportamentos contrários à consecução de metas e objetivos, tornando o trabalho contra producente, reafirmo.

Sentir-se protegido, ter mesas, cadeiras, materiais, equipamentos adequados e bem posicionados em espaço de trabalho sempre limpo e arejado, além de contar com banheiros asseados, com aquele cheirinho de limpeza, onde se podem encontrar sabonete líquido, toalha descartável e papel higiênico de qualidade são providências fundamentais para o bem estar do trabalhador.

Se o trabalhador se sente bem, certamente irá produzir mais e melhor. Sua autoestima será fortalecida, interferindo positivamente em seu comportamento e potencializando o rendimento e a fecundidade de suas idéias e ações dentro da instituição.

Toda e qualquer ação de reconhecimento capaz de fazer um trabalhador se sentir estimado e importante em seu local de trabalho irá deixá-lo mais produtivo e eficiente.

Na perspectiva do aspecto de ambiência, restrito a parte funcional da dinâmica trabalhista, destacam-se o tratamento dispensado pelos chefes e pelos colegas de equipe ao trabalhador. As relações conflituosas, onde há agressões verbais constantes, assédio moral ou sexual, entre outros tipos de violências menores ou maiores relacionadas à dinâmica de trabalho cooperam para a queda da qualidade de vida do trabalhador.

Enfim, enquanto os aspectos de ambientação inadequada consideram-se o desconforto, a insalubridade e a insegurança como fatores contra producentes, por outro lado, os aspectos da ambiência inadequada irão considerar as relações interpessoais estressantes e a má qualidade das vivências do trabalhador.

Estes fatores, entre outros diversos e específicos conforme cada caso, por isto não citados aqui, podem estar relacionados como consequências da má gestão em relação aos critérios de escolha e aquisição de mobílias, equipamentos e materiais de manutenção do ambiente laboral, bem como da ausência de políticas eficazes de gestão de pessoas. No primeiro caso o gestor geralmente privilegia, nas compras que faz a economia pecuniária em detrimento do conforto e da saúde geral do trabalhador e, no segundo caso, negligencia os aspectos motivacionais na gestão de sua equipe.

Neste antro de perdição gerencial que deteriora as condições de trabalho, perdem todos! Perde a instituição, perdem os colaboradores e perdem os clientes. No fim, pode-se constatar uma instituição medíocre, cujo foco da administração está voltado para “apagar incêndios”, com uma equipe alheia, composta de membros desunidos, desmotivados e, obviamente, gerando cada vez mais clientes insatisfeitos, sempre à espera de uma opção melhor.

Desta forma, o segundo pilar da qualidade de vida no trabalho é, sem dúvida, as condições de trabalho.

Prof. Chafic Jbeili
Psicanalista e Psicopedagogo
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domingo, 25 de outubro de 2009

Pilar 1 da QVT: A Remuneração.

Série: Os 8 Pilares da Qualidade de Vida no Trabalho (QVT).

O primeiro pilar da QVT:
A Remuneração Justa e Adequada.

Prof. Chafic Jbeili – www.chafic.com.br

O trabalho é a fonte mais lícita para realização de qualquer necessidade ou desejo humanos.

Nada do que se possa desejar conquistar com honra e dignidade está fora do trabalho a não ser a herança familiar, entre outras raras exceções da mesma distinção. Por isto, todo trabalho honesto deve ser considerado uma bênção, mesmo que eventualmente não seja o ideal em termos de ganhos financeiros ou emocionais.

De forma restrita à dimensão financeira, é por meio da remuneração obtida com o trabalho realizado que o trabalhador busca saciar desde necessidades primordiais como alimentação, educação, saúde, higiene, lazer, vestuário, moradia e segurança até a realização de desejos de consumo mais sofisticados como aquisição de bens móveis e imóveis de luxo, além de serviços não-essenciais relacionados a hobbies, a estética, a caprichos especiais e à autorealização.

Desta forma, cada pessoa tem a sua escala particular do que seja uma remuneração justa e adequada sobre um mesmo tipo de trabalho. Infelizmente, por questões de sobrevivência e eventuais necessidades muitas pessoas se submetem a subempregos e trabalhos que estão bem aquém de seus anseios, vocações e inclusive de sua capacidade profissional, porquanto sua retidão de caráter não admite outra forma de manutenção de sua vida e de sua família, a não ser pelo trabalho honesto, ainda que este trabalho não corresponda às suas competências e disposição de ideais, naquele momento.
  
Ideal ou não, mas de modo geral virtuoso, o trabalho é sempre algo inerente à sobrevivência dos homens e mulheres de bem. Neste aspecto, a percepção que cada pessoa elabora entre aquilo que faz e o valor de sua remuneração determina parte significativa de seu sentimento de mais valia, decência laboral e decoro existencial.

Quando alguém acredita que não ganha o suficiente pelo que faz pode se sentir injustiçada, explorada, desrespeitada e sua produtividade cai proporcionalmente. De igual modo, mesmo que um trabalhador possa considerar sua remuneração justa, por outro lado ela também pode paralelamente sustentar certo sentimento de que a remuneração que recebe é inadequada às suas expectativas de vida, amenizando a esperança de realização e conquista das coisas que sonha adquirir ao longo de sua existência.

Quando a remuneração de um trabalhador não é suficiente para proporcionar, mesmo que em longo prazo, tudo o que ele sonha conquistar em sua vida, a desilusão é inevitável.

Para Richard E. Walton, professor de Administração em Harvard, a perda da QVT é uma conseqüência não apenas da remuneração justa e adequada em algumas relações de trabalho, mas de outras sete dimensões de caráter ambiental e humana que foram naturalmente negligenciadas durante a consolidação da dinâmica industrial de produção e consumo, privilegiando os aspectos da produtividade em massa, das novas tecnologias e da expansão econômica em detrimento do bem estar do trabalhador.

Nada pior para os resultados de qualquer organização do que um profissional com o sentimento de que está sendo abusado e explorado pela empresa. Tanto o sentimento de injustiça quanto o de inadequação da remuneração são extremamente nocivos para o desempenho do trabalhador, comprometendo sua qualidade de vida no ambiente de trabalho e interferindo em sua produtividade.

Apenas para ilustrar o raciocínio, eu recebo alguns e-mails cujas histórias chocantes de professores que milagrosamente sobrevivem com salários entre R$150,00 e R$500,00 por mês me fazem perder o apetite, tamanha a indignação que experimento. Uma quantidade considerável de professores tem outros diversos tipos de trabalhos além da escola. Muitos contam precisar dar aulas particulares, fazer artesanatos, trabalhar em feiras nos finais de semana, entre outros inúmeros tipos de “bicos” para complementar a renda e não deixar faltar o pão de cada dia.

A proposta de federalização da Educação no Brasil, defendida pelo Senador Cristovam Buarque, pelo menos para determinar um piso salarial do professor no Brasil é algo que a classe docente mais privilegiada deveria abraçar em favor dos colegas menos favorecidos, que são a maioria em nosso país. Não basta o Governo gastar milhões com publicidade para dizer que a Educação é primordial e que o professor é importante, isto já sabemos! O que deveria ser realmente primordial e importante para o Estado é a valorização dos educadores para que tenham melhores condições de vida, a partir da remuneração justa e adequada à sua sobrevivência e realização pessoal.  

Acredito que o impacto da atividade diária, constante e sistemática na vida das pessoas é de tal grandeza subjetiva que se confunde ao seu próprio caráter, moldando os usos e costumes de cada pessoa conforme o trabalho que realiza. Assim, cada pessoa se torna aquilo que faz . Cada qual continua a fazer ou deixa de fazer conforme o reconhecimento que recebe pelo que faz. Neste sentido, a remuneração pode não ser o único, mas certamente é um dos principais fatores de percepção deste reconhecimento que tanto se espera pelo que se faz.

Na sequência deste raciocínio encontra-se amparado o primeiro pilar da QVT desta série, pois é do reconhecimento de seu trabalho que a pessoa pode medir a pertinência de seus esforços; e a partir daí poderá tolerar melhor suas angústias, suas privações e até suas decepções no processo de consecução de suas tarefas. Ao fazer as contas entre aquilo que faz e quanto recebe por compensação, a pessoa dará sentido objetivo ao seu trabalho e, por extensão, à sua vida de modo geral, pois é o valor do salário que determinará se um trabalhador irá viver de verdade ou apenas sobreviver.

De modo geral, pode-se medir a lisura de uma pessoa simplesmente pelo valor institucional que ela atribui ao emprego, enquanto fonte de renda e realização pessoal, em especial quando não o tem. As pessoas que se abatem com a falta de um emprego são muito mais nobres em suas essências do que aqueles que se mostram indiferentes e acomodados diante do ócio contínuo.

Quem vive do ócio acomoda-se na vã expectativa de um emprego mais digno de seu currículo, porém o trabalhador de verdade é dignificado pelo trabalho que realiza, enquanto suas expectativas não são contempladas plenamente. Nenhum trabalho é vergonhoso ou nocivo, desde que loriginalmente lícito, realizado por livre escolha, proporcione mais prazer do que angústias e também seja produtivo e proporcionalmente rentável. 

Enfim, por trás de um enunciado de boas intenções na valorização do trabalhador, corporações de todos os tipos, tamanhos e setores abusam e exploram sua força de trabalho da forma que melhor lhes convém. Esta inobservância ao primeiro pilar da QVT acaba se revertendo contra a sobrevivência da própria instituição. O trabalho com remuneração justa e adequada transforma a pessoa em alguém melhor do que era antes de seu oportuno e merecido reconhecimento. Nada melhor para uma instituição do que um trabalhador grato, com sentimento de remuneração justa e adequada pelo trabalho que realiza!

Prof. Chafic Jbeili
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segunda-feira, 5 de maio de 2008

Qualidade de vida: um estilo inspirado na criança!

sabedoria

"Procurei nos livros orientações para uma vida bem vivida, e encontrei na criança não a resposta que eu procurava, mas a inspiração que eu precisava."
Chafic Jbeili

Procurei nos livros da sabedoria quais os mistérios de uma vida bem vivida. Encontrei filósofo falando que ser é melhor do que ter. Descobri que vive melhor quem vive o ser que se é, nas condições que se tem.

Procurei nos livros sagrados o caminho de uma vida plena e com sentido. Encontrei profetas falando de paz, de amor, de compartilhar e de perdoar. Descobri que vive melhor quem ama a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Procurei nos livros das ciências os segredos de uma vida vivida com saúde e longevidade. Encontrei doutor falando em comer bem, dormir bem, fazer exercícios e manter boa higiene física e mental. Descobri que vive melhor quem respeita os próprios limites, do corpo e da mente.

Procurei nos livros dos negócios a estratégia para uma vida de sucesso. Encontrei executivos falando em muita determinação, bastante garra, comedição severa em seus gastos, capacidade de se equilibrar nos altos e baixos do dia a dia, além de muita persistência em uma jornada marcada por dolorosas e consecutivas quedas. Descobri que vive melhor quem pretere o sucesso em favor da genuína felicidade.

Procurei nos livros da vida a experiência do bem viver nas palavras de quem não sabe ler nem escrever. Encontrei ancião falando de raiz, canja de galinha e chá de muitos matos. Descobri que vive melhor quem busca uma vida simples e observa os sinais que a vida oferece.

Procurei nos livros das crianças a fonte de uma vida alegre e divertida. Não encontrei qualquer delas disposta a investir um segundo sequer de seu precioso tempo para falar de coisa séria. Só escutei risos, sapateados e o vulto daquelas que não paravam de correr ventanejantes de um lado para o outro. Descobri que vive melhor quem, de vez em quando, se liberta e retoma a dinâmica lúdica da infância, ainda que por alguns minutos apenas.

Depois de tanto procurar descobri que vive melhor quem:

1) Busca maior autoaceitação. Cada pessoa é muito maior e melhor do que comumente acredita que é. A psicopatologia da neurose subsiste do conflito entre quem a pessoa pensa que é e quem ela gostaria de ser. Lembre-se: Pessoas gostam de pessoas que gostam de si mesmas. Virtude-chave: Compreensão.

2) Reconhece suas limitações. Crer que há um Deus no controle de todas as coisas é essencial para que a pessoa evite a pesada, pretensiosa e falsa crença de possuir controle sobre coisas e pessoas. Ser responsável não implica ter poder. Lembre-se: Não se preocupe com as coisas que não pode fazer nada. Com as demais, faça algo ao invés de apenas se preocupar. Virtude-chave: Fé.

3) Atende suas necessidades. A saúde é um bem precioso e prescinde qualquer ação. Um corpo fraco e mal nutrido dificilmente conseguirá realizar a mais banal das tarefas. Lembre-se: O único espaço em que a pessoa tem posse plena, irrestrita e vitalícia é o próprio corpo. Se não cuidar dele, onde mais poderá viver? Virtude-chave: Disciplina.

4) Goza boa capacidade de discernimento. É preciso saber viver com equilíbrio. Metas e objetivos são bons apenas enquanto não comprometem os limites do corpo e da alma. De que adianta ganhar o mundo inteiro e perder as pessoas queridas e amadas? Lembre-se: A felicidade não tem, necessariamente, qualquer vínculo com o sucesso. O contrário também é verdadeiro. Virtude-chave: Sensatez.

5) Aprecia as coisas simples da vida. Observar uma formiga que trabalha, uma nuvem que passa em majestoso silêncio, a revoada de um sedento beija-flor. Perceber que vai chover, sentir o cheiro da terra, pegar uma pedrinha de granizo e dividir o guarda-chuva. Reparar na folha que cai, na aranha que tece, no cupim que corrói enquanto se saboreia uma suculenta jaboticaba colhida no pé. Lembre-se: As coisas mais simples também são as mais extraordinárias. Viva-as mais vezes. Virtude-chave: Gratidão.

6) Revive ou recria a própria infância. Se não há o que reviver de sua infância, então recria-a para vivê-la agora e aos poucos. Uma historinha bem lida, uma gargalhada bem dada, doces, pipoca e traquinagens. Aproxime-se do chão, vire uma, duas, três cambalhotas protegendo sempre a cabeça. Balance o corpo enquanto come um biscoito. Faça caretas no espelho, ria da vida, da sorte ou da morte... apenas ria. Lembre-se: Se não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus. Virtude-chave: Humildade.

Em geral, a criança gosta de si mesma; mesmo sem concordar reconhece suas limitações e, por isso, sabe que é frágil e dependente dos outros, pois não pode obter aquilo que precisa de si mesma. Faz o que for preciso para ver suas necessidades atendidas, depois se cala e dorme. A criança se ocupa em ser feliz e não se preocupa em ser bem-sucedida; ela sabe bem apreciar e vibrar com as coisas mais simples que lhe apresentam; a criança preserva a capacidade lúdica de recriar a cada instante um mundo diferente, uma fantasia nova.

Autor: Chafic Jbeili | www.chafic.com.br

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