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quarta-feira, 4 de junho de 2008

Que tipo de gente as empresas procuram?

(Chafic Jbeili)

Passamos pela era do ter, depois do fazer, estamos saindo da era do ser e agora giramos a maçaneta de uma nova era: a do sentir. Tudo o que temos ou fazemos ou achamos que somos dependerá do que sentimos em relação a cada uma dessas nuances de nossa vida. Empresários e executivos que subestimaram o valor do sentimento proclamando o jargão: “empresa não tem coração” colocaram suas empresas e respectivas equipes em rota de falência.

A valorização da razão em detrimento das emoções começou com o fascínio provocado pelas máquinas desde os primeiros momentos da revolução industrial e tornou-se mais evidente a partir dos anos 80 com a chegada do microcomputador. Esse impactante fator alterou de forma profunda o processo de desenvolvimento humano naquilo que os estudiosos chamam de automodelagem. E ao desenvolverem um jeito mecânico de ser as pessoas perderam drasticamente, entre outras coisas, a qualidade de seus relacionamentos colocando em “xeque” suas próprias bases de sustentação.

Com as bases fragilizadas, as pessoas se viram pequenas demais diante da surpreendente eficácia dessas engenhocas modernas e isso aflorou o medo de perder espaço para as máquinas na relação de emprego gerando graves conflitos intrapessoais, inclusive de indentidade, fechando o ciclo vicioso e nocivo onde as pessoas buscam, cada vez mais e de forma desapercebida, sua imagem e semelhança à essas engenhocas objeto de sua identificação.

Dessa forma, a pessoa que vinha reprimindo sua humanidade e aglutinando, em sua personalidade, traços que pertencem às máquinas precisam rever urgentemente seus conceitos, pois a sobreposição da racionalidade à emoção, que antes era tido como recurso de sobrevivência profissional, agora passa a ser uma armadilha, não apenas para o indivíduo como também para o grupo ao qual está vinculado ou pertence, e os empresários já perceberam os males desse processo e estão investindo pesado na inversão dessa estratégia. Depois da reengenharia a palavra de ordem agora passa a ser humanização. Compreender o outro é melhor do que tentar programá-lo. Animá-lo é preferível do que apenas motivá-lo.

Os empresários perceberam que seus clientes, assim como eles, não se sentem muito à vontade para lidar exclusivamente com máquinas. Perceberam que gente gosta e precisa de lidar com gente, ainda que utilize algum recurso tecnológico. Descobriram que tão importante quanto a iniciativa, a motivação para aprender, a capacidade técnica e específica também são as peculiaridades humanas como as habilidades sociais e a capacidade de comunicação. Não é à-toa que, nos últimos anos, as mulheres vêm ganhando mais espaço no mercado de trabalho do que os homens. As mulheres são, em sua essência, mais humanas e mais sensíveis. Suas habilidades tácitas na arte de gerar e criar filhos tem sido altamente requisitadas e aquelas que conseguem adaptar essa vocação ao trabalho têm tido muito sucesso.

As empresas caíram na real e agora procuram pessoas que tenham domínio sobre tecnologia mas que sobretudo invistam em sua humanização através do autoconhecimento e conhecimento do próximo e assim aprendam a fantástica arte de lidar com gente, amando seus clientes como a si mesmo para garantir o difícil pão nosso de cada dia.

Chafic Jbeili tem formação em psicanálise clínica e pós-graduação em Ciências da Religião e Psicopedagogia clínica e institucional. É terapeuta iridologista. Com 10 anos de experiência, desenvolve palestras sobre educação, processos ensino-aprendizagem, família e saúde do professor. Contato: chafic.jbeili@gmail.com | www.chafic.com.br

Auto-conhecimento: um ato heróico

(Chafic Jbeili)

Não são poucos os poetas, filósofos, artigos e livros que falam sobre a importância do autoconhecimento como item imprescindível para quem, segundo Sócrates, quer levar uma “vida boa”. Outro filósofo escreveu que “...nada exige heroísmo intelectual tão extraordinário quanto o desejo de conhecer a própria equação pessoal”. Mas, porque será que autoconhecimento é comparado a ato heróico?!


Acredito que um dos grandes desafios da pessoa, empenhada em conhecer-se, seja superar a resistência em estar diante de si mesma. O homem é a única criatura que se recusa a ser o que é. Sofre, entre outras coisas, a pressão de um sistema que se esmera dioturnamente para torná-lo diferente do que realmente é. Os padrões de beleza, de comportamento e até de pensamentos impostos pela camada dominante desse sistema influenciam, siginificativamente, a expectativa que a pessoa constrói sobre si e sobre os outros. Por isso, o medo da rejeição e do ridículo a faz forjar um eu idealizado em detrimento do eu original e autêntico, ora para proteger o “eu real” que ela mesma deixou-se enfraquecer pelo auto-abandono, ora como recurso de sobrevivência social.


Se por um lado o homem resiste conhecer a si mesmo, em parte pelo medo de descobrir-se muito diferente do que todos esperavam que ele fosse, por outro a mente humana possui, naturalmente, um insaciável desejo de saber a verdade. É nesse paradoxo que consiste a origem e formação de muitos conflitos interiores e que, geralmente, mantêm a pessoa refém de suas próprias fantasias e justificativas, fazendo-a encobrir seu verdadeiro eu no mais tenebroso cativeiro existencial, onde o “eu ideal” se faz carceireiro cruel do fantástico e brilhante “eu real”.


Neste sentido, empreender o autoconhecimento é mesmo um ato heróico porque pretende vasculhar, cuidadosamente, cada beco da mente e do tempo na história de vida pessoal, para encontrar e “salvar” o verdadeiro eu, garantindo-lhe a liberdade e a segurança necessárias para uma existência plena e sadia que lhe é de direito.

O fantástico poder da escolha

(Chafic Jbeili)

Não importa em que área de sua vida persista um impasse, saia já daí! Exerça seu poder da escolha e tome logo a decisão que acredita ser a melhor! Há pessoas que, desesperadas em corresponder à imagem idealizada, muitas vezes, preferem a dor, o sofrimento e até a morte do que propriamente abrirem mão dessa missão impossível e assumirem, naturalmente, a responsabilidade sobre suas escolhas.


Geralmente, esperam por alguém que tome uma decisão por elas, livrando-se assim da responsabilidade sobre um eventual fracasso. Ao agirem dessa forma, arriscam, em todos os sentidos, a própria existência.

Se você está vivendo angustiado(a) e infeliz é porque ainda não se decidiu sobre algo. O medo, das supostas conseqüências, inibe seu poder da escolha e aí você não se decide, fica preso(a) a algum tipo de conflito interior que, além de dilacerar o sentido de sua realização, causa-lhe desalento e o(a) impele para atividades isoladas e mais solitárias. Além disso, ao invés de estimular sua autoconfiança, reforça a indesejada dependência do outro.


Certa vez uma jovem recém-formada conseguiu um bom emprego, com um ótimo salário e, talvez, um promissor futuro profissional, mas ela vivia com o semblante abatido e andava infeliz por não conseguir se realizar com o que estava fazendo. Suas feições exteriorizavam suas dores morais de uma forma muito evidente e já estava contaminando as pessoas que amava. O que lhe era prazeroso agora tornara insosso. Essa jovem conhecia bem suas opções, mas protelava qualquer decisão. Estava sempre pensando em como os outros iriam vê-la se decidisse por essa ou aquela opção. Enquanto conversávamos, e atravessávamos a rua, ela pisou em um chiclete e, então, parou para tentar se livrar da impiedosa "goma assassina". Ela começou a gritar, pois os carros se aproximavam. Eu disse em tom firme: É o chiclete que se prendeu em você e não você nele. Saia já daí e venha para a calçada...


É bom lembrar que são os nossos medos que estão presos em nós e não nós neles. E, embora eles eventualmente estejam "grudados" em nós, não são fortes o bastante para nos impedir de tomar uma decisão. Então, saia já daí e exerça seu fantástico poder de escolha.

Saia do piloto automático!

(Chafic Jbeili)


No corre-corre diário, muitas são as informações que devem ser processadas e armazenadas. Também muitas são as tarefas que devem ser realizadas, impreterivelmente, sem erros. Afinal de contas as pessoas estão nos observando e esperam de nós equilíbrio emocional, que é supostamente evidenciado através de comportamento diligente e um desempenho resoluto. Senão as pessoas, certamente o futuro que idealizamos. O que muitos não percebem é que muitas dessas cobranças vem, exarcebadamente, de nós mesmos.

Dado o grande volume e intensidade desta dinâmica vivencial moderna, balizadas pelo grau de cobrança ao qual estamos submetidos, quer sejam nossas ou não, reais ou imaginárias, desenvolvemos uma organização personalizada das tarefas para “dar conta do recado”. Esta organização dá origem a uma rotina e que, apesar de tornar nosso dia-a-dia viável, tende a condicionar nossos pensamentos e ações, ampliando as reações automáticas e subutilizando nosso cérebro em sua capacidade e potencial.

Se por um lado a rotina promove ordem à nossa vida e nos permite realizar várias tarefas, praticamente ao mesmo tempo, por outro, desenvolvemos um estilo automático de viver e aí nos acostumamos a conviver em relacionamentos superficiais e de baixo-compromisso. Trabalhamos pelo dinheiro e nada mais. Fazemos de tudo um pouco e de cada pouco nada se sabe direito. Eis uma das perigosas sementes da angústia e da ansiedade.

Sair do “Piloto Automático” e assumir a direção de sua vida e principalmente de seus projetos exige, sobretudo, força de vontade, disciplina, disposição e muita atenção. Tornando o ato de viver uma tarefa produtiva, lucrativa e prazerosa. O resto é consequência! Sucesso!

A felicidade ainda é o melhor cosmético

(Chafic Jbeili)

Seiscentos anos antes de Cristo, os sábios da época já diziam: "O coração alegre aformoseia o rosto, mas com a tristeza do coração o espírito se abate". Hoje, a receita feminina mais popular para "levantar o astral", é ir às compras ou dar um trato na própria imagem. Comprar um acessório ou uma roupa nova, mudar a cor do cabelo, pintar as unhas ou ainda, fazer aquela maquiagem para espantar o desânimo e manter uma aparência agradável. O que não quer dizer que toda mulher que está se produzindo padece de baixo-astral.

No entanto, esses artifícios, embora úteis e eficazes, são tão necessários quanto efêmeros e seriamente perigosos quando colocados como esteios da verdadeira felicidade. Não é difícil entender que felicidade é um estado de ânima, do latim, alma! Sendo assim, os arranjos materiais podem, no máximo, simular esse sentimento, mas não sustentá-lo por muito tempo. Geralmente, essa pseudo felicidade vai se esvaindo ao mesmo tempo em que os artifícios materiais vinculados a ela vão se dissipando. Não é à toa que, em muitas pessoas, o humor e a alegria duram enquanto duram o batom, a escovinha ou o saldo no banco. Esses elementos são usados não para trazer um pouco mais de alegria e conforto, ou ainda, para refletir o bem-estar geral que algumas pessoas realmente sentem com suas vidas, mas são usados para "maquiar" suas infelicidades e suas frustrações.

Se para o escritor francês, Chamfort, "...não há caminho mais seguro para ir em busca da felicidade do que através das virtudes", para o escritor alemão, Goethe, "...a pessoa mais feliz é aquela que encontrou a paz em seu lar, quer seja um rei ou um camponês". De qualquer forma, penso que a pessoa mais feliz é aquela que satisfaz seus anseios e necessidades e os consegue mantê-los relativamente saciados. Como os anseios e as necessidades são circunstanciais e extremamente subjetivos, então não há uma única fórmula que se aplica a todos. Cada um deve balizar o sentido de seus anseios com suas reais necessidades e esmerar-se em satisfazê-los. Dessa forma, estará percorrendo o caminho particular em busca da verdadeira felicidade.

Teorias à parte, procure trazer à memória somente aquilo que pode dar esperança a você. Desenvolva uma disposição firme e constante para praticar o bem e esmere-se em descobrir a sua missão de vida. A felicidade é tão grata e generosa que você já começa a desfrutá-la no momento em que começa a buscá-la. Uma vez no caminho certo, aos poucos, seu coração se alegrará e verá, ou ajudará outras pessoas a enxergarem, que é possível viver bem e ser feliz, mesmo sem ter todos os recursos materiais ou humanos que gostaria de ter pois, como bem disse o filósofo grego, Epicuro, "...nada nunca será o bastante para quem acha pouco aquilo que é suficiente...". Pratique gratidão às coisas e pessoas que você tem. Sobretudo, faça essas coisas sem depender ou descuidar de sua aparência, isso fará germinar a semente da felicidade que é a sensação de satisfação e, por conseguinte, aformoseará o seu rosto e a sua vida, tornando-a mais jovem, bonita e saudável.

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